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	Comentários em: O perigo das promessas irrealistas na aviação e na gestão pública	</title>
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		Por: wilson veiga		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[wilson veiga]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 10:06:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas que grande surpresa! Descobriu-se que a gestão dos TACV precisa de contas bem feitas e que a aviação comercial não sobrevive de discursos populistas. Que revelação chocante, quase ao nível de descobrir que a água molha! Mas calma lá, que os nossos gestores sabem fazer contas. Sabem tão bem que a TACV tem sido um caos organizado há décadas – e muito bem aproveitado, diga-se de passagem.

Afinal, este não é apenas um problema de incompetência. Não, senhor! Isto cheira a gestão que foi sempre deliberadamente caótica, um saco azul convenientemente disponível para os dois partidos no poder. Cada governo que passa dá uns retoques no descalabro, empurra mais um bocadinho o avião desgovernado, mete mais uns amigos na folha de salários, acumula mais dívidas e depois vem o discurso habitual: “Ah, mas a aviação é complexa! É volátil! O petróleo sobe, as divisas flutuam, o clima muda, Marte está retrógrado!”

Agora aparecem os arautos do bom senso a avisar que reduzir os preços dos bilhetes em 50% até 2030 é populismo barato? Sim, sim, claro que é! Mas não vamos fingir que os gestores de TACV alguma vez tiveram real interesse em eficiência e sustentabilidade. Se assim fosse, a companhia já teria sido reestruturada há anos, com um modelo realista de financiamento e um plano sério para servir as ilhas. Mas não, isso seria muito chato! Onde é que se iam meter os boys e as cunhas? Como é que se justificavam os desvios e os &quot;apoios extraordinários&quot; do Estado? Como se enchia o saco azul?

O modelo sempre foi este: manter os TACV vivo o suficiente para ser útil, mas moribundo o suficiente para ser um buraco sem fundo de dinheiro público. E enquanto o povo paga bilhetes a preços absurdos, os políticos vão de &quot;diplomacia&quot; para Lisboa e Paris a custo zero. Como é que se resolve isto? Com mais promessas vãs, claro! E daqui a cinco anos, cá estaremos outra vez, a ouvir que &quot;os TACV precisa dum plano estratégico de PqP&quot; e que &quot;os desafios são imensos&quot;.

Meus senhores, se TACV fosse um paciente num hospital, já tinha sido desligado das máquinas há muito tempo. Mas enquanto der para extrair uns trocos, vão continuar a mantê-lo em coma induzido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas que grande surpresa! Descobriu-se que a gestão dos TACV precisa de contas bem feitas e que a aviação comercial não sobrevive de discursos populistas. Que revelação chocante, quase ao nível de descobrir que a água molha! Mas calma lá, que os nossos gestores sabem fazer contas. Sabem tão bem que a TACV tem sido um caos organizado há décadas – e muito bem aproveitado, diga-se de passagem.</p>
<p>Afinal, este não é apenas um problema de incompetência. Não, senhor! Isto cheira a gestão que foi sempre deliberadamente caótica, um saco azul convenientemente disponível para os dois partidos no poder. Cada governo que passa dá uns retoques no descalabro, empurra mais um bocadinho o avião desgovernado, mete mais uns amigos na folha de salários, acumula mais dívidas e depois vem o discurso habitual: “Ah, mas a aviação é complexa! É volátil! O petróleo sobe, as divisas flutuam, o clima muda, Marte está retrógrado!”</p>
<p>Agora aparecem os arautos do bom senso a avisar que reduzir os preços dos bilhetes em 50% até 2030 é populismo barato? Sim, sim, claro que é! Mas não vamos fingir que os gestores de TACV alguma vez tiveram real interesse em eficiência e sustentabilidade. Se assim fosse, a companhia já teria sido reestruturada há anos, com um modelo realista de financiamento e um plano sério para servir as ilhas. Mas não, isso seria muito chato! Onde é que se iam meter os boys e as cunhas? Como é que se justificavam os desvios e os &#8220;apoios extraordinários&#8221; do Estado? Como se enchia o saco azul?</p>
<p>O modelo sempre foi este: manter os TACV vivo o suficiente para ser útil, mas moribundo o suficiente para ser um buraco sem fundo de dinheiro público. E enquanto o povo paga bilhetes a preços absurdos, os políticos vão de &#8220;diplomacia&#8221; para Lisboa e Paris a custo zero. Como é que se resolve isto? Com mais promessas vãs, claro! E daqui a cinco anos, cá estaremos outra vez, a ouvir que &#8220;os TACV precisa dum plano estratégico de PqP&#8221; e que &#8220;os desafios são imensos&#8221;.</p>
<p>Meus senhores, se TACV fosse um paciente num hospital, já tinha sido desligado das máquinas há muito tempo. Mas enquanto der para extrair uns trocos, vão continuar a mantê-lo em coma induzido.</p>
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