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Política

PAICV diz que nomeação do cônsul-honorário deixa Cabo Verde ligado à promoção da extrema direita internacional

O PAICV disse que a nomeação de Cesar Do Paço a cônsul honorário de Cabo Verde na Flórida deixou o país ligado directa e indirectamente à promoção da extrema direita internacional.

Esta declaração foi feita pelo vice-presidente do partido tambarina, Rui Semedo, esta quinta-feira (14), durante uma conferência de imprensa na sequência  do pedido de demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares.

“O facto é que Cabo Verde, com essa nomeação de cônsul-honorário, ficou ligado direta e indiretamente à promoção da extrema direita internacional, envergonhando os seus filhos e manchando a nossa própria democracia que celebrou ontem os 30 anos da sua existência”, avançou Rui Semedo.

Este responsável recordou que o cônsul-honorário tema  responsabilidade de representar o estado de Cabo Verde junto das comunidades, de promover eventos e encontros, promover o desenvolvimento das relações comerciais, para além dos cuidados particulares com os direitos dos cidadãos cabo-verdianos, designadamente, os que poderão ter problemas com a lei e necessitem de apoios especiais.

“A escolha de um representante de Cabo Verde no exterior é um assunto tão sério que deve ser envolto de cuidados especiais, inclusive, na aferição da idoneidade do titular para que o país seja protegido de imprevistos desagradáveis e com impactos altamente corrosivos da imagem do Estado”.

Segundo Rui Semedo, a responsabilidade de averiguar a idoneidade dos titulares candidatos à representação do país no exterior, é mais do estado que envia, do que do Estado que recebe, pois as eventuais consequências negativas tem maiores impactos no país emissor do seu representante.

“O que aconteceu é suficientemente grave para colocar Cabo Verde no epicentro de um grande escândalo que irá ter repercussões de contornos imprevisíveis, tanto a nível interno como a nível externo, nas relações com outros países e organizações”, acrescentou.

Rui Semedo explicou que a situação ganhou contornos ainda mais escandalosos, quando se sabe que a cerimónia de tomada de posse, do cônsul-honorário em causa, envolveu outros sujeitos, com honras militares e intervenção do Protocolo de Estado.

Citando os artigos n1  e n2 da Constituição da República, Semedo frisou que não há preço que justifique a submissão do país às tentações do racismo ou da xenofobia, pondo em causa os princípios e as regras constitucionais ou mesmo as raízes mais profundas da nossa Nação fundada nos valores do respeito, da tolerância e da não discriminação da pessoa humana.

“Submeter, através do Governo, o país a ligações tão perniciosas, como estas, é uma alta traição a toda a comunidade emigrada, espalhada por todos os cantos do mundo a lutar para uma melhor integração, contra qualquer tipo de discriminação, para a afirmação e para a igualdade de oportunidades económicas, políticas e outras nos diversos países de acolhimento”.

O vice-presidente do PAICV acrescentou ainda que a demissão de Luís Filipe Tavares não é suficiente para resolver a situação, pelo que “todos esperam que o Primeiro Ministro, enquanto Chefe do Governo, venha a público esclarecer aos cabo-verdianos o que realmente aconteceu e que medidas estão a ser tomadas para a recuperação do bom nome e da credibilidade do país fortemente beliscados com este inusitado incidente que está a correr o mundo”.

Recorde-se que o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Luís Filipe Tavares, pediu ao Primeiro-ministro a demissão dos cargos que vem desempenhando no Governo, pedido esse que foi aceite pelo primeiro-ministro.

Em causa, estará a polémica nomeação do empresário português César Do Paço no cargo de cônsul de Cabo Verde na Flórida, apontado pela SIC como um “criminoso” e patrocinador do partido Chega, com ligações à extrema-direita portuguesa.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Pericles Barros

    15 de Janeiro, 2021 at 10:07

    Este artigo tem algum mérito, quanto mais não seja por alertar que se trata de uma matéria séria e que não mereceu um tratamento adequado anticipado que evitasse um desenlasse inconveniente e gravoso desta natureza; situaçoes desta natureza não devem acontecer; não há dúvida que a imagem de Cabo Verde ficou tocada ; porém ficaria sim profundamente chamuscada se o chefe do governo não tivesse aceite o pedido de demissão do ex-MNEC; haveria sim promoçao dos inimigos da democracia e das minorias, de arautos do ódio, se isso não tivesse acontecido; apesar ser um incidente grave e que mereceu medidas subsequente
    e prontas de quem de direito, não há espaço para legitimar nenhuma oposiçao séria e nenhum articulista honesto, na afirmaçao de que CABO VERDE tem ligaçoes perniciosas com a extrema direita internacional; alguém, por incúria, desleixo ou por rasoes outras, teria falhado; porém dizer que há erros , que quando identificados, não se resolvem com medidas correctivas prontas e vigorosas, é simplesmente masoquismo politico; outrossim é de se perguntar se este incidente ficaria melhor sanado com uma subsequente sessão de “harakiri”; Tudo isto configura-se numa forma torpe de fazer politica e de um oportunismo desmedido que não adiciona valor à democracia .

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