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Cultura

Cultura em 2026: Festa com Carnaval e Mundial, no regresso dos grandes palcos

Para 2026, o sector da cultura em Cabo Verde terá a seu dispor um orçamento de aproximadamente 600 mil contos, num ano em que o país vê regressar os seus festivais internacionais, continuar a requalificação de patrimónios históricos e assistir a uma inédita sinergia esperada entre a cultura e o desporto. Mas 2026 é também o ano do 90º aniversário da fundação da revista Claridade, o mais importante movimento literário do país até hoje. 

O ciclo cultural de 2026 terá o seu primeiro grande destaque já em Fevereiro. O Carnaval, com destaque para os desfiles de São Vicente, São Nicolau e Praia, está agendado para o dia 17 de Fevereiro. O governo já iniciou a antecipação de verbas para os grupos oficiais, garantindo que a produção artesanal de carros alegóricos e figurinos atinja um nível de sofisticação profissional, visando atrair um número recorde de turistas europeus e da diáspora.

90º aniversário de Claridade 

Em Março completam-se os noventa anos de Claridade, revista literária fundada, em 1936, em São Vicente, por Baltasar Lopes, João Lopes, Manuel Lopes e Jorge Barbosa, e cujos efeitos perduram até hoje quer no espaço da literatura, quer do pensamento cabo-verdiano. Os seus nove números, publicados entre 1936 e 1960, constituem um importante património imaterial da Nação Cabo-verdiana. Por saber é como o MCIC e eventualmente a Câmara Municipal de São Vicente pretendem assinalar a efeméride. 

Dança, Literatura e Novos Lançamentos

Ainda no campo literário, as feiras do livro da Praia e do Mindelo em 2026 terão como tema a “Literatura da Diáspora”, celebrando novos autores que escrevem a partir de centros como Boston, Lisboa e Roterdão. Ainda no campo do livro e da memória histórica, um dos lançamentos a acontecer, já em Janeiro, é o livro de memórias de Pedro Pires, primeiro chefe do governo de Cabo Verde (1975-1991) e presidente da República, entre 2001 e 2011, além de combatente e comandante do PAIGC na Guiné. 

Na música, um dos lançamentos mais aguardados para o segundo semestre de 2026 é o álbum “Testamento” do rapper Hélio Batalha, que promete uma fusão entre o hip-hop e os ritmos tradicionais, contando com colaborações de artistas de Angola e Portugal.

A agenda cultural de 2026 integra ainda a 4ª edição do Festival Kontornu, entre 9 e 16 de Maio, na ilha de Santiago. Este evento ganhará uma dimensão especial com o lançamento oficial da Rede de Dança da CPLP, posicionando o país como líder na cooperação artística lusófona.

E em Abril, a cidade da Praia volta a transformar-se num dos epicentros da indústria fonográfica desta região africana, com a realização da 12ª edição do Atlantic Music Expo (AME), confirmada para o período de 6 a 9 de abril, e servindo, como já é habitual, de antecâmara para o Kriol Jazz Festival. O AME 2026 focará na digitalização da música africana e na criação de novas rotas de exportação para os talentos locais, consolidando Cabo Verde, de acordo com a organização, como o “hub” que liga a música da CPLP ao mercado global.

Requalificação e Património

No âmbito da conservação, 2026 será o ano da conclusão de importantes obras na Cidade Velha, Património Mundial da Humanidade. O plano de gestão do sítio histórico prevê a finalização de projetos de requalificação urbana que visam transformar o berço da nação cabo-verdiana num museu vivo mais acessível e sustentável.

O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas reforçou que o investimento em 2026 também priorizará a digitalização do Arquivo Histórico Nacional, permitindo que investigadores e a diáspora acedam a documentos fundamentais da identidade crioula a partir de qualquer parte do mundo.

Desafios e Sustentabilidade

O plano cultural para 2026 prevê ainda um reforço da Bolsa de Acesso à Cultura (BA-Cultura), garantindo que escolas de artes em ilhas mais periféricas, como Maio, Brava e São Nicolau, recebam financiamento contínuo para formar a próxima geração de artesãos e músicos.

Cabo Verde acolherá ainda a IV Jornada de Cooperação Turística Internacional em 2026, onde se discutirá como poderá o turismo cultural ser a resposta para a sazonalidade do sector, promovendo eventos durante todo o ano e não apenas na época alta.

Com uma agenda que equilibra a tradição do Carnaval com a modernidade dos mercados de música e a euforia do futebol, 2026 promete ser um ano importante para a economia criativa de Cabo Verde, ajudando a reforçar o papel do país como uma referência no mapa cultural do Atlântico. 

A Cultura no ritmo da estreia no Mundial

Espera-se que um fenómeno cultural atípico venha a marcar o mês de Junho de 2026, com a estreia dos “Tubarões Azuis”, no Campeonato do Mundo da FIFA. Mais do que um evento desportivo, a participação cabo-verdiana em solo norte-americano (EUA, México e Canadá) será, certamente, acompanhada por um vasto programa cultural, oficial e particular, sem precedentes.

Os adeptos promoverão “Fan Zones” culturais em todas as ilhas, onde não faltará música ao vivo, a gastronomia e o marchandising serão os protagonistas durante os jogos contra Espanha (15 de junho), Uruguai (21 de junho) e Arábia Saudita (26 de junho). Este evento funcionará como uma montra global para a “Marca Cabo Verde”, unindo a diáspora nos EUA às raízes no arquipélago.

Joaquim Arena

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