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Cultura

A memória de Olívio Pires reunida em livro

 “A Memória que se faz Necessária”, livro de Olívio Pires, reúne textos diversos que revelam a vida pessoal e política desse antigo dirigente do PAICV e embaixador, de 1971 a 2021, num testemunho de quem viveu de perto e foi protagonista da luta pela libertação de Cabo Verde. A obra é lançada amanhã, 16, em São Vicente, tem o prefácio de Luís Fonseca e posfácio de Pedro Pires. A apresentação fica a cargo de Germano Almeida.

Olívio Pires é mais uma das figuras do PAIGC/CV a ver as suas memórias compiladas em forma de textos de intervenções diversas, em diferentes momentos da sua vida. Companheiro de Amílcar Cabral, foi destacado dirigente político em todo o processo da luta pela libertação e no pós-independência, ocupando cargos importantes, inclusive o de embaixador de Cabo Verde na Alemanha. 

De acordo com os editores (Fundação Amílcar Cabral e a Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria), “A Memória que se faz Necessária” traz um testemunho vital para a compreensão do processo histórico que conduziu à independência e à construção do Estado de Cabo Verde. 

Estes textos dos seus discursos, intervenções e entrevistas têm uma cronologia que vai de 1971 a 2021. O livro está dividido em três partes: o dos últimos anos do período colonial, de 1971 a 1975; da independência à abertura política (1991) e o período posterior, até 2021. 

Não se tratando de uma biografia, como alguns dos livros recentemente publicados, da autoria de antigos dirigentes ou combatentes, na opinião de Germano Almeida, “lendo o prefácio de Luís Fonseca, o posfácio de Pedro Pires e mais quatro entrevistas dadas pelo Olívio Pires (duas a Graciano Nascimento, uma a Leopoldo Amado e uma a José Pereira), fica-se a compreender o essencial da vida do autor, pois fala dos seus motivos para aderir à luta pela independência, os abusos das autoridades coloniais que ele já tinha testemunhado, até seguir pra a Guiné e juntar-se à luta armada.” 

Um pensador ao serviço da independência

Os outros textos são uma súmula das suas intervenções enquanto dirigente político, parlamentar e uma ou outra da sua vida corrente. Germano adianta, como aspecto que chama a atenção, “a coerência do Olívio, ao contrário de outros, ele não terá sido um combatente, no sentido do combate real, foi sobretudo um pensador e para mim esta é que é a parte mais interessante destes textos, que fez pensar de facto no título do livro.”

 E neste mesmo sentido, Luís Fonseca destaca, no prefácio que escreve, “Olívio Pires destaca-se na linha da frente da galeria das pessoas-chave no processo o nosso país à independência e mobilizou as energias da sociedade cabo-verdiana para construir um estado que, apesar da situação desastrosa herdada do sistema colonial, conseguiu dotar-se de instituições e políticas que promoveram o desenvolvimento económico e social e garantiram a estabilidade interna e a credibilidade internacional”. 

Por seu turno, o posfácio de Pedro Pires ressalta que estas “memórias”, “permite-nos conhecer, em primeira mão, na primeira pessoa, a essência das motivações, das inquietações e dos combates personificados por um dos mais importantes actores políticos da nossa gesta de libertação, durante a qual fomos companheiros destas jornadas histórica, libertadora, inadiável e que soubemos, a geração da libertação e independência, descobrir, protagonizar e vencer”.

Pedro Pires escreve ainda, referindo-se ao contributo de Olívio Pires, que “nós estávamos condenados a não falhar e percorríamos uma via estreita e de sentido único, em que desistir estava proibido. Vencemos a batalha a que nos impusemos e somos orgulhosos de termos conquistado a independência do nosso Cabo Verde e de termos viabilizado e consolidado os fundamentos do nosso Estado nacional soberano, e erguido sustentáculos materiais, morais e culturais, da nossa nação libertada”. 

Germano Almeida afirma que “neste período em que se está a pensar que o 13 de Janeiro substitui até a data da Independência, o meu interesse será aproveitar o livro para enaltecer aqueles que lutaram pela independência do país. Quanto a Olívio Pires, o seu estado de saúde não permite que esteja no acto do lançamento do livro, a ter lugar, amanhã dia 16, no Auditório Onésimo Silveira, na Universidade de Cabo Verde”. 

Olívio Melício Pires nasceu em 1942 no Paul, em Santo Antão, estudou engenharia na Faculdade de Ciências do Porto, em Portugal, que interrompeu para juntar-se ao PAIGC ainda na década de 1960. Por muito tempo foi o representante desse partido na Holanda, integrou o grupo de guerrilheiros formados em Cuba e na então União Soviética. Foi eleito deputado na primeira ANP, em 1975 e até 1995. Nesse período, entre outras funções, integrou a mesa da ANP juntamente com Abílio Duarte. 

Joaquim Arena

Publicado na Edição 959 do Jornal A Nação, de 15 de Janeiro de 2026

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