Uma sondagem nacional realizada pela Afrosondagem, entre os dias 26 e 30 de dezembro, para conhecer as percepções dos cabo-verdianos sobre os líderes partidários e a direção dos votos, caso as eleições legislativas fossem realizadas em finais de dezembro de 2025, revela que o Movimento para Democracia (MpD – poder) parte em vantagem nas intenções de voto para as próximas eleições legislativas, ao mesmo tempo que evidencia uma forte predisposição dos eleitores cabo-verdianos para participar no escrutínio. 72% dos inquiridos afirmam que pretendem votar, enquanto 19% dizem que não irão participar e 9% permanecem indecisos ou preferiram não responder.
O estudo ouviu 3.526 cidadãos eleitores, com idade igual ou superior a 18 anos, em todo o território nacional, através de entrevistas presenciais porta a porta.
A amostra é probabilística e representativa a nível dos círculos eleitorais, com um nível de confiança de 95% e uma margem de erro máxima nacional de ±2,0%, assegura a Afrosondagem.
MpD lidera notoriedade dos líderes partidários
De acordo com os dados, o líder do MpD, Ulisses Correia e Silva, apresenta um nível de notoriedade “muito elevado, situando-se entre 95% e 100% na maioria dos círculos eleitorais”.
“Este resultado confirma a sua forte exposição pública e o amplo conhecimento deste líder junto do eleitorado”, lê-se no comunicado da Afrosondagem.
O presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição), Francisco Carvalho, surge logo a seguir, com índices de notoriedade maioritariamente acima dos 80%, destacando-se nos círculos de Santiago Sul e Santiago Norte.
“A sua visibilidade é consistente, embora disponha ainda de uma margem de crescimento em determinados círculos”, escreve a mesma fonte.
Já João Santos Luís, líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID – oposição), regista níveis de notoriedade mais baixos e desiguais, variando entre 30% e 75%, “evidenciando uma presença pública mais limitada e desigual entre os círculos”
Elevada predisposição para votar

A sondagem aponta igualmente para uma forte intenção de participação nas eleições legislativas, 72% dos inquiridos afirmam que pretendem votar, enquanto 19% dizem que não irão participar e 9% permanecem indecisos ou preferiram não responder.
A predisposição para votar é particularmente elevada em Santiago Sul, Santiago Norte e Fogo, embora existam círculos onde a tendência para a abstenção se revela mais significativa, podendo influenciar os resultados finais.
Intenção de voto coloca MpD na dianteira

No cenário em que as eleições legislativas fossem realizadas no momento da sondagem, portanto, em finais de Dezembro de 2025, o MpD surgiria como vencedor, com 31% das intenções de voto a nível nacional.
O PAICV aparece em segundo lugar, com 25%, seguido da UCID, com apenas 4%.
Importa, no entanto, salientar o peso expressivo dos eleitores que afirmam não votar em nenhum partido (17%), dos indecisos (14%) e dos que não souberam ou preferiram não responder (8%), o que, segundo a Afrosondagem, indica “um cenário em aberto e sujeito a mudanças ao longo do período da campanha eleitoral”.
Diferenças regionais e eleitorado jovem mais indeciso

A análise por círculos eleitorais mostra que o MpD lidera na maioria das regiões, com destaque para o Fogo, onde atinge 52%, e o Sal, com 43%. O PAICV vence em Boa Vista, Santiago Sul e Santiago Norte, enquanto a UCID mantém uma expressão residual na maior parte do país, com maior presença em São Vicente.
Em ilhas como Maio e São Nicolau, o número de eleitores indecisos ou que rejeitam os partidos tradicionais ultrapassa os 40%, “o que sinaliza um elevado espaço de disputa política”.
Por faixas etárias, o MpD apresenta maior força entre os eleitores mais velhos, especialmente a partir dos 45 anos, enquanto o PAICV mantém um desempenho mais equilibrado entre todas as idades.

Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, o cenário é mais fragmentado, com níveis elevados de indecisão e distanciamento em relação aos partidos políticos.
“Entre os jovens (18–24 anos), apenas 23% votariam no MpD e 24% no PAICV, enquanto cresce o peso de respostas como “nenhum deles” e “não sei/não respondo” com 21% ex-àqueo”, lê-se no documento.
Projeção aponta para parlamento competitivo
A projeção da distribuição de mandatos sugere um parlamento marcado pelo equilíbrio entre o MpD e o PAICV, “com ligeira vantagem do MpD em vários círculos eleitorais”.
O partido no poder asseguraria representação em todos os círculos, enquanto o PAICV se destaca sobretudo em Santiago Sul e Santiago Norte. A UCID surgiria com mandatos residuais, concentrados principalmente em São Vicente e Santiago Sul.

“No conjunto, a projeção confirma um quadro eleitoral altamente competitivo, em que pequenas variações na mobilização de eleitores podem alterar o número final de mandatos atribuídos a cada partido”, finaliza a Afrosondagem.
Recorde-se que a sondagem foi realizada pela Afrosondagem entre 26 e 30 de dezembro, com 3.526 entrevistas presenciais, representativas por círculo eleitoral, com 95% de confiança e erro máximo nacional de ±2,0%, variando entre os círculos eleitorais de ±3% e ±7,5%.



