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Saúde

Porque temos medo das vacinas?

Um artigo do projecto “Pergunte a um biólogo”, da Universidade de Arizona, explica onde começou o medo da imunização com vacinas e desmistifica as principais dúvidas à volta desta questão, que continua a ser muito pertinente, especialmente depois da Covid-19.   

Embora exista, no pós-pandemia de 2019, uma resistência à vacinação, associada a eventuais efeitos adversos da vacina da Covid-19, esse medo começou muito cedo na história, associado a outras vacinas. 

A rubrica Ask a Biologist (Pergunte a um biólogo), da Universidade de Arizona, explica que algumas pessoas começaram a temer as vacinas usadas para protegê-las contra a varíola humana – e inicialmente utilizada associada a um vírus que afectava vacas e causava varíola bovina – por temer que, ao tomar a vacina, pudessem desenvolver partes do corpo de vaca ou mesmo se transformar em uma. 

O que hoje parece estranho, para as pessoas, no século 18, era assustador, porque a vacina era algo novo e não sabiam como funcionava.

Hoje, a maioria das pessoas sabe que um ser humano não vai se transformar em uma vaca, mas o medo de vacinas persiste e vem de ideias erradas ou equívocos sobre as vacinas e sua segurança. 

“Um desses equívocos é que, quando os bebês nascem, seu sistema imunológico não consegue lidar com as vacinas. Embora o sistema imunológico infantil ainda esteja em desenvolvimento, ele também é muito forte. Entretanto, as vacinas não são administradas imediatamente após o nascimento do bebê. Quando nasce, o bebé herda anticorpos da mãe, que podem afectar a maneira como algumas vacinas funcionam. Por isso, certas vacinas precisam esperar até que o bebé tenha alguns meses de idade”, explica. 

As vacinas são seguras?

Outro equívoco está relacionado com a segurança das vacinas, no geral, pela presença de toxinas.  É verdade que algumas vacinas podem conter ingredientes que seriam ruins se fossem usados em níveis altos, como formaldeído, alumínio ou moléculas que contêm mercúrio

 No entanto, nem todas as vacinas são feitas com eles. E para qualquer vacina que ainda contenha esses ingredientes, os níveis desses produtos químicos estão muito abaixo das concentrações que podem causar problemas. 

Na verdade, explica a ASU, o nosso corpo produz formaldeído em taxas mais altas do que a quantidade introduzida pela vacina. Os bebês obtêm mais alumínio a partir da fórmula infantil ou do leite materno, do que seguindo o calendário normal de vacinação. E, quanto aos compostos com mercúrio, há aproximadamente a mesma quantidade de mercúrio em uma vacina e em meia lata de atum de 170g, embora os compostos sejam muito diferentes e os presentes na vacina sejam muito menos prováveis de permanecerem no corpo. 

As vacinas podem causar autismo?

Outro grande “equívoco ou desinformação” desmistificado pela ASU é que as vacinas causam autismo. Pessoas temem que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) possa causar autismo.

Esse medo foi desencadeado por um artigo  publicado na revista Lancet, em 1998, que relacionou “falsamente” a vacina tríplice viral ao autismo. 

O artigo foi desacreditado por conter falsidades, manipulação de dados e má interpretação de resultados,  o autor perdeu sua licença médica, mas a informação já tinha sido amplamente divulgada pela mídia, o medo se espalhou e continua até hoje. 

Vários estudos realizados em 2014 e 2019, considerando mais de um milhão de crianças, não mostraram nenhuma ligação entre vacinas e autismo. 

Ademais, todas as infecções acima apresentam risco de morte ou de ter problemas graves. Estas são as razões pelas quais a vacina tríplice viral foi feita. 

Vacinas problemáticas e efeitos colaterais

Historicamente, houve algumas situações em que uma vacina aprovada teve que ser retirada do mercado devido a questões de segurança. Isso aconteceu nos EUA, com um lote da vacina contra a poliomielite, e na década de 1990, no Japão, com um tipo específico de vacina tríplice viral.

Nos casos em que uma vacina é retirada, isso ocorre porque a pequena fração do risco associado a ela tornou-se maior do que o normal. 

Dizer que as vacinas são seguras não significa que elas não tenham efeito no nosso corpo além do treinamento do sistema imunológico. Parte desse treinamento requer uma resposta imunológica. No caso de certas vacinas, como vacinas vivas enfraquecidas ou vacinas recombinantes, o corpo também luta contra um vírus. Portanto, podem ocorrer sinais de mal-estar após vacinas específicas. 

C/USD

(Publicado na edição nº961 do Jornal A Nação de 29 de Janeiro de 2026)

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