Um grupo de trabalhadores da Câmara Municipal do Sal (CMS) paralisou, Segunda-feira, 9, os serviços da autarquia para protestar contra o que consideram ser “erros grosseiros” e “irresponsabilidade” no processo de regularização de vínculos precários e reclassificação profissional.
Reunidos à entrada dos Paços do Concelho, os funcionários, representados pela porta-voz Odília Estrela, denunciam disparidades nos critérios utilizados pela edilidade para o enquadramento do pessoal e a falta de transparência na metodologia usada para a reclassificação.
Segundo a porta-voz, há situações de licenciados desde 2010 que continuam com a categoria de apoio operacional, enquanto outros colaboradores, com menos tempo de casa, foram integrados como técnicos superiores.
“Não adianta ser licenciado desde 2010 e continuar como apoio operacional, enquanto alguém que se licenciou recentemente entra como técnico superior. Qual é o benefício de estudar?”, questionou Odília Estrela, citada pela Agência Cabo-verdiana de Notícias.
A mesma fonte sublinhou que os serviços da Câmara Municipal estão assegurados apenas para o “mínimo indispensável”, uma vez que os trabalhadores decidiram abandonar os postos de trabalho até obterem uma resposta clara por parte dos Recursos Humanos.
No mesmo sentido, a trabalhadora Nadine de Pina, que ingressou na autarquia em 2016 via concurso público, expressou a sua frustração por continuar enquadrada como assistente técnica, apesar de possuir pós-graduação e desempenhar funções de gestão de serviço.
“Onde está a motivação para continuarmos a estudar se não somos valorizados?”, desabafou.
Edil Júlio Lopes manifesta “total solidariedade”
Abordado pelas funcionárias à entrada da Câmara Municipal na manhã de ontem, Segunfa-feira, o edil do Sal, Júlio Lopes, manifestou “total solidariedade” com as reivindicações, mas ressalvou que a decisão sobre os moldes do enquadramento não terá partido directamente do seu gabinete.
O autarca defendeu que os trabalhadores devem ser integrados no novo quadro definitivo na qualidade de técnicos superiores, reconhecendo a legitimidade das suas aspirações.
Apesar do clima de tensão, as colaboradoras asseguram que a paralisação tem como único propósito a defesa dos seus direitos laborais e a exigência de igualdade de tratamento, afastando motivações de outra natureza e manifestando receio de eventuais represálias.
C/INFORPRESS



