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Ribeira Grande de Santiago Turismo Sustentável/Ecológico como fator de desenvolvimento local

Por: Silvia Helena Barros Furtado

O turismo assume, atualmente, uma relevância incontestável na economia Cabo-verdiana e também na economia mundial, estando ao mesmo nível das atividades económicas mais importantes. 

Todavia o turismo, para além de ser um forte impulsionador da economia de Cabo Verde, não se limita a esta única dimensão, tendo uma interação com o ambiente, o património natural e construído, a população, comunidade local e o território.

Neste sentido é crucial identificar os diferentes atores e seus papéis na implementação de uma política de ecoturismo em Ribeira Grande de Santiago.

“Ecoturismo é um segmento de atividade turística que utiliza de forma sustentável o património natural e cultural de modo a incentivar a sua conservação garantindo o bem-estar da população”(EMBRATUR-Instituto Barsileiro de Turismo).

Com base nas potencialidades exitentes, identificar atividades a serem desenvolvidas em cada categoria de turismo do concelho de Ribeira Grande de Santiago.

Nesta estância fez-se uma análise dos vários tipos de turismo que são praticadas no concelho e sua desenvoltura no que tange a procura. 

Ainda neste artigo irão ser apresentados alguns tipos de turismo que têm pouca representatividade no concelho, mas que aptresentam uma forte potencialidade para serem implementados. 

Potencialidades turística em Ribeira Grande de Santiago

Ribeira Grande de Santiago possui grandes potencialidades turísticas. Para que essa potencialidade se transforme em oportunidades económicas para o Município, é preciso um investimento sério no sector, nomeadamente a criação de infraestruturas, formação do pessoal visando o aproveitamento de mão-de-obra local, desenvolvimentos de ações que tenham por objetivos a mudança de comportamentos e atitudes da população em relação aos problemas ambientais e garantir a tranquilidade e a segurança nos principais pontos de atração turística.

O turismo é sem dúvida uma atividade que se bem planeada e desenvolvida pode trazer às populações locais vastos benefícios, como diversificação de oportunidades e consolidação económica, geração de empregos, conservação ambiental, valorização cultural e patrimonial.

As localidades que destacam pela sua importância e potencialidade turística são as seguintes:

1. Calheta de São Martinho  

Calheta de São Martinho é um grande potencial turístico, porém pouco conhecido e com uma história bonita por se contar. É uma localidade situada entre Maluada e localidade de São Martinho Grande antes da Cidade Velha.

Este porto, apesar de ser desconhecido por cabo-verdianos, nos tempos antigos foi muito conhecido por navegadores como Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Diogo Gomes, Francis Drake, Charles Darwin, Vasco Nunez, piratas e aventureiros para fazer escalas de navios de diferentes frotas, comércio e aprovisionamento que era muito importante para a circulação e expansão das riquezas para o mundo.

Para além do seu porto tranquilo e sereno, a localidade de Calheta de São Martinho em 1927 com o objetivo de encurtar a travessia do Atlântico Sul, a Aeropostale (a Lendária Companhia Aérea Francesa) construiu uma base hidrográfica que serviu como rádio e estação meteorológica até o ano 1936. Isso constitui grande marco histórico da aviação civil em Cabo Verde.

Por ser uma pequena aldeia carregada de história deve e merece especial atenção por parte das autoridades, tanto local, central e internacional. 

Pela sua conservação e reconhecida relevância cultural e turística do sítio realmente é uma grande aposta para o Turismo ecológico sustentável do Concelho de Ribeira Grande de Santiago potencializando o turismo histórico, cultural e de investigação. 

Ainda vou mais além, pela sua componente histórica e importância que teve no passado, este lugar perfeitamente deve ser projetado como uma das áreas protegidas da ilha de Santiago.

O Concelho da Ribeira Grande de Santiago é uma autêntica “joia da coroa” de Cabo Verde, com uma densidade histórica e natural difícil de igualar. A força deste concelho reside na sua diversidade, poucos lugares conseguem oferecer a transição entre o mar (com potencial para desportos náuticos e pesca) e a montanha (ideal para o ecoturismo e caminhadas), para além de vales e as ribeiras oferecem um microclima único que permite o desenvolvimento do agroturismo, permitindo ao visitante vivenciar a vida rural autêntica e a gastronomia local. 

2. Cidade Velha

Para além de turismo patrimonial, uma grande aposta seria o turismo ecológico, aproveitando do seu vale verdejante e rica em variedades das plantas que abrange desde ribeira de cidade até Calabaceira de cidade e Salineiro.

O turismo ecológico é uma atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio preservando o ambiente, a cultura e os costumes locais.

Guiar os turistas a aventurar nesse vale, não basta apenas proporcionar algum tipo de interação com a natureza, é importante que sigam as principais regras que este tipo de turismo requer: ele deve respeitar a comunidade e valorizar a economia local, também deve prezar pela preservação do meio ambiente e pela educação sustentável dos turistas.

É de realçar que Vale de Cidade Velha foi muito importante pelas variedades de plantas que hoje temos em Cabo Verde, porque nessa ribeira que foi feita a primeira experiência de micegenação das plantas trazidas da europa.

É preciso reorganizar e estruturar a oferta, gerando novos atrativos, a partir das potencialidades existentes por forma a incrementar as atividades geradoras de rendimentos, aumentando assim o nível de satisfação dos visitantes e residentes.

Uma grande atração da Cidade Velha, porém pouco valorizada é uma grande árvore de Calabaceira localizada a frente do Centro de Saúde.

Calabaceira, é uma árvore nativa do continente africano e da Austrália. 

O pé da Calabaceira pela sua característica aparenta uma árvore centenária, com cerca de 3,5 metro de diâmetro.

Apesar do Centro Cultural da Cidade Velha vem contribuído de forma impulsionadora o turismo local ainda é pouco diversificada e carece de uma dinamização forte, tendo em conta o potencial do legado imaterial. Aproveitando os Cruzeiros regular o Batuque no Pelourinho seria de todo uma grande valorização da cultura que por sua vez movimentaria a economia local.

3. São Joao de Baptista (Chã de Igreja)

Chã de igreja é uma comunidade pacata com cerca de quarenta e tal familias, onde os residentes vivem praticamente da agricultura, criação de gado e produção de carvão vegetal.

De entre as atividades turísticas fica em destaque a igreja matriz de São Baptista, considerada uma das mais antigas igrejas de Cabo verde. Apesar de algumas intervenções ainda conserva a sua arquitetura original. 

Logo na entrada da comunidade depara-se com uma rocha moldura de cara humana que foi considerada uma das 7 maravilhas de Ribeira Grande de Santiago. Para além da sua moldura e característica serve muitas vezes da prática de escalada por parte dos turistas em busca das aventuras. Tendo estas condições naturais deve ser aproveitado para a prática do desporto de escala e promover a sua valorização. 

4. Gouveia

Porto Gouveia, uma pequena comunidade situada entre Chã de Igreja e Porto Mosquito.

É uma aldeia caraterizada por uma ribeira verdejante e um pequeno porto de pesca que constitui uma grande fonte de rendimento económico das famílias residentes.

A nível do turismo essa pequena comunidade possui uma piscina natural designada de poça. O local é pouco conhecido pois fica fora do circuito dos olhares dos visitantes, todavia é um lugar maravilhoso que pode ser transformado numa oferta turística pelas suas singularidades e paisagens atípicas. Alguns residentes aproveitam o banho dessa piscina para tratamento de algumas doenças de pele, devido a sua maior concentração de sal. 

5. Porto Mosquito

Porto Mosquito, uma comunidade de pouco mais de mil habitantes que vive essencialmente da pesca, foi o sítio escolhido em 2019 para receber as atividades comemorativas do Dia das Nações Unidas com enfoque na Agenda 2030 e promoção dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Uma escolha que recai pelo facto de ser uma localidade com alguma vulnerabilidade ambiental.

Apesar da vulnerabilidade ambiental, Porto Mosquito possui grande atrativo turístico com caraterísticas peculiar. No auge do sol ardente, á mágica acontece na pequena praia balnear de areia negra, Os porcos descem com os filhotes entram no mar refrescam e voltam para os seus esconderijos.

Sem sombra de dúvida, esta comunidade de sol abrasador e gente afável e espontâneo apresenta uma pequena baía natural com beleza única, cosmetado pelas coloridas embarcações artesanais que combina perfeitamente com o azul do céu e do mar.

Sendo, assim apresenta um grande potencial turísticas para passeios de barcos e pescas artesanais, além de ser a porta de entrada de excursão para Baía dos infernos.

As pinturas externas das casas também constituem um grande atrativo turístico, ou seja, são casas que contam histórias do mar.

Porto Mosquito a comunidade que viu nascer o grande artista Solentino “Garry”.

6. Pico-Leão

Uma comunidade pequena de relevo acidentado, constitui uma localidade mais verdejante e fresca de Ribeira Grande de Santiago.

A população vive essencialmente da prática da agricultura e pecuária. Apesar de ser uma comunidade pequena, Pico-Leão tem um grande potencial turístico. Sem a infraestruturação da água canalisada, a população beneficia da água de nascente das rochas e ribeiras que não só mata a sede da comunidade como também é usado para cultura de regadio. 

As condições naturais proporcionam o turismo rural e turismo das montanhas para quem busca aventuras e contactos com a natureza, além disso, o turismo rural comunitário oferece uma experiência genuína em comunidades remotas, com a hospitalidade local, gastronomia tradicional e a possibilidade de vivenciar a essência cabo-verdiana.

A capela de Pico Leão é um marco importante também para os visitantes e turistas. A comunidade celebra a sua Santa Padroeira Imaculada Conceição entre a semana de 29 de novembro e a 8 de dezembro demonstrando uma fé fervorosa e uma cultura marcante em gastronomia tradicional.

Conclusão

O Concelho da Ribeira Grande de Santiago é uma autêntica “joia da coroa” de Cabo Verde, com uma densidade histórica e natural difícil de igualar. A força deste concelho reside na sua diversidade, poucos lugares conseguem oferecer a transição entre o mar (com potencial para desportos náuticos e pesca) e a montanha (ideal para o ecoturismo e caminhadas), para além de vales e as ribeiras oferecem um microclima único que permite o desenvolvimento do agroturismo, permitindo ao visitante vivenciar a vida rural autêntica e a gastronomia local.

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