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Kafuka prepara nova fase após levar iluminação a 10 famílias em São Domingos

Depois de levar iluminação sustentável a dez famílias da comunidade de Dacabalaio, em São Domingos, o projecto Kafuka – Renewable Energy prepara-se para entrar numa nova fase, com a previsão de beneficiar mais trinta famílias na ilha do Maio e no município de Calheta de São Miguel, ilha de Santiago.

O projecto Kafuka – Renewable Energy nasceu para responder às dificuldades enfrentadas por famílias que vivem em comunidades remotas e sem acesso à electricidade. Em muitas dessas zonas, a iluminação ainda depende de velas ou candeeiros tradicionais, o que limita o conforto e aumenta a vulnerabilidade das famílias.

Segundo o mentor do projecto, Samory Araújo, a ideia surgiu após a identificação dessa necessidade na ilha do Maio, onde muitas famílias, sobretudo pessoas idosas, continuam sem acesso a uma fonte segura de iluminação dentro de casa.

“Queríamos transformar esta realidade através de uma solução renovável, sem custos para as famílias, e que pudesse ser facilmente adaptada às necessidades das comunidades”, explicou ao A NAÇÃO.

O sistema desenvolvido funciona com energia solar e assegura entre seis e oito horas de iluminação e necessita de cerca de três horas para carregar através de um painel solar, o que garante iluminação sem custos adicionais para os beneficiários.

Projecto-piloto com impacto positivo

Criado para beneficiar inicialmente 40 famílias, o Kafuka – Renewable Energy arrancou com a entrega de dez unidades na localidade de Dacabalaio, em Dezembro de 2025. Esta primeira fase teve como objectivo testar a aceitação da solução junto das famílias e avaliar o seu impacto na comunidade.

De acordo com Samory Araújo, a receptividade foi positiva desde o início, o que demonstrou a utilidade da iniciativa. “O feedback foi muito bom. Conseguimos levar um bem essencial, que é a iluminação, a famílias que realmente precisavam, e isso teve um impacto muito positivo em São Domingos”, afirmou.

O bom acolhimento reforçou a convicção de que o projecto pode ser expandido para outras localidades com carências semelhantes.

Expansão prevista para Maio e Calheta

Com os resultados positivos alcançados em São Domingos, o projecto prepara agora uma nova fase de expansão. Segundo Samory Araújo, entre o final de Junho e o início de Julho deste ano, está prevista a entrega de mais trinta unidades, destinadas a famílias da ilha do Maio e do município de Calheta de São Miguel.

Deste total, vinte equipamentos serão entregues em Calheta de São Miguel e 10 na ilha do Maio, dando continuidade ao objectivo inicial de beneficiar 40 famílias nesta fase-piloto.

A expansão para estas localidades faz parte da estratégia de levar iluminação a zonas mais afastadas, onde o acesso à energia continua a ser uma dificuldade diária para muitas famílias.

Um projecto pensado para o futuro

Para o mentor, o projecto representa uma solução de longo prazo para melhorar as condições de vida em comunidades vulneráveis. Depois de patenteado, o Kafuka – Renewable Energy passa agora a ser encarado como uma solução com potencial para crescer e chegar a mais famílias em diferentes pontos do país.

“Este é um projecto de futuro. Agora queremos explorar as áreas mais remotas e com maiores dificuldades de iluminação, para beneficiar mais famílias e continuar a melhorar vidas”, avançou Samory Araújo.

Criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desenvolvido pela Universidade de Cabo Verde através do Responsible and Smart Solutions Lab (RS2Lab) e com apoio de governos locais, o projecto pretende continuar a crescer e levar energia eléctrica às famílias que mais precisam.

O Kafuka foi apresentado publicamente em Outubro de 2024, no contexto de divulgação associado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como resposta a limitações de acesso à eletricidade e aos custos que dificultam a iluminação doméstica em várias localidades do país.

O Kafuka foi distinguido com o Prémio de Inovação Universitária nos Digital Awards Cabo Verde 2025, para Samory Araújo, o maior reconhecimento é ver a solução a ser utilizada pelas famílias.

Cleidiane Tavares (estagiária)

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