A presidente do partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), Jónica Brito, lançou este sábado, 09, duras críticas ao actual sistema de assistência social e de saúde em Cabo Verde, defendendo o fim daquilo que considera ser a “partidarização” dos apoios sociais no país.
As declarações foram feitas à Inforpress, durante uma acção de campanha porta-a-porta, em Achada Santo António, Praia, bairro onde a candidata nasceu e cresceu.
Ao longo da visita, a líder do PTS chamou a atenção para a situação de pessoas com doenças crónicas e mobilidade reduzida que, segundo denunciou, vivem sem acompanhamento adequado.
“Estamos a falar de pessoas com necessidades reais que não estão a receber a devida atenção”, afirmou, considerando que muitos cabo-verdianos enfrentam dificuldades extremas sem qualquer resposta eficaz das instituições públicas.
Cadastro social único
A candidata acusou ainda o sistema de assistência social de falhar na identificação das famílias mais vulneráveis, referindo-se directamente ao Cadastro Social Único. Para a presidente do PTS, o mecanismo “finge não ver” o agravamento das condições de vida de muitas famílias e o aumento da pobreza.
Saúde mais próxima das comunidades
Entre as propostas defendidas pelo partido, Jónica Brito destacou a necessidade de alterar o actual modelo de prestação de cuidados de saúde, defendendo uma abordagem mais próxima das comunidades.
Segundo explicou, o PTS pretende apostar num sistema em que os serviços de saúde cheguem directamente às comunidades e às casas das pessoas.
“A saúde tem de chegar à comunidade”, declarou.
A líder do PTS criticou igualmente a falta de acessibilidade em várias infraestruturas públicas, afirmando que muitos edifícios continuam sem condições adequadas para pessoas com deficiência motora.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração. Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
Recorde-se que nas últimas eleições legislativas em Cabo Verde, no dia 18 de Abril de 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
C/Inforpress

