PUB

Cultura

Morte do Mestre Pascoal: Sociedade Cabo-verdiana de Música destaca contributo do artista para a cultura e música nacional

A Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) manifestou hoje profundo pesar pelo falecimento de Domingos Pascoal Fernandes, conhecido artisticamente como Mestre Pascoal, destacando-o como uma das mais notáveis referências da cultura cabo-verdiana e incansável guardião da cimboa. Natural de São Domingos, o Mestre Pascoal faleceu na tarde de Quinta-feira, 11 de Junho, aos 66 anos.

Em nota de pesar, citada pela Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS), a instituição sublinhou que o Mestre Pascoal dedicou grande parte da sua vida à preservação, valorização e transmissão deste instrumento tradicional, contribuindo para manter viva uma tradição que atravessa gerações e constitui uma das expressões mais autênticas da identidade musical cabo-verdiana.

Segundo a SCM, o contributo do músico para a cultura e para a música nacional permanecerá como fonte de inspiração para artistas, investigadores e para todos aqueles que reconhecem o valor das raízes culturais do país.

A Sociedade Cabo-verdiana de Música apresentou ainda condolências à família, amigos, à comunidade artística e cultural e a todos os cabo-verdianos pela perda de uma figura que considerou ímpar no património cultural nacional.

A instituição concluiu a sua mensagem expressando o desejo de que a memória e o legado de Mestre Pascoal continuem a ecoar através das cordas da cimboa e na história da música cabo-verdiana.

“Guardião da cimboa, músico, artesão, formador e homem de valores”, Câmara Municipal de São Domingos

Conforme destaca a nota de pesar da Câmara Municipal de São Domingos, o Mestre Pascoal foi “guardião da cimboa, músico, artesão, formador e homem de valores”, tendo dedicado “grande parte da sua vida à preservação e transmissão do património cultural de Cabo Verde, deixando um legado inestimável que continuará a inspirar as presentes e futuras gerações.

A Câmara Municipal de São Domingos recorda que o Mestre Pascoal também se destacou pela sua “generosidade, humildade, sabedoria e permanente disponibilidade para servir a comunidade, foi um exemplo de dedicação à cultura, à educação e ao desenvolvimento humano”.

“Homem íntegro e profundamente ligado às raízes da sua terra”, Presidência da República

A Presidência da República manifestou a sua “profunda consternação” do pelo falecimento de Domingos Pascoal Fernandes, recordando que foi um “exímio tocador de violão, homem íntegro e profundamente ligado às raízes da sua terra, deixou uma referência de inestimável valor para as gerações presentes e futuras”.

A sua última atuação pública, refere a nota da Presidência da República, aconteceu a 28 de maio último, na sessão de abertura do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, onde integrou o “memorável espetáculo do Quarteto Anu Nobu + 1, proporcionando ao público uma exibição de grande qualidade artística que permanecerá na memória de todos os que tiveram o privilégio de a testemunhar”.

“Missão de salvaguarda da memória colectiva, Jornalista Luís Carvalho

Para Luís Carvalho, um dos jornalistas cabo-verdianos mais antigos em actividade, “a cultura cabo-verdiana está de luto. Mas também está grata. Grata por ter contado com um homem que fez da sua vida uma missão de salvaguarda da memória colectiva. Grata por ter encontrado em Pascoal Fernandes um guardião da nossa identidade, um herdeiro digno de Nhu Mano Mendi e um exemplo para as futuras gerações”.

“Com as suas mãos, construiu cimboas; com o seu talento, construiu pontes entre gerações. Ensinou centenas de jovens, levou a cimboa a escolas, festivais e palcos, e mostrou ao país e ao mundo que a tradição só sobrevive quando encontra quem a ame e a defenda com persistência”, escreveu Luís Carvalho na sua página no Facebook.

Aquele jornalista considera ainda que o Mestre Pascoal foi um “homem simples, mas gigante na sua dedicação à cultura; um amigo das artes, um contador de memórias através das cordas da cimboa, um daqueles raros mestres que compreendem que o verdadeiro legado não está apenas no que se faz, mas sobretudo no que se transmite”.

Discípulo do icónico compositor Ano Nobo

Na área musical, Domingos Pascoal Fernandes, além da cimboa, foi um exímio tocador de violão e outros instrumentos. É considerado discípulo do icónico compositor Ano Nobo, com quem fez parte do emblemático grupo “Bom Jardim”.

Dedicou-se à construção, preservação e transmissão da cimboa, instrumento tradicional, contribuindo para a valorização do património cultural cabo-verdiano facto que fez dele uma referência na defesa das tradições musicais nacionais.

Foi professor e formador na sua oficina em São Domingos, onde ensinou centenas de pessoas a confeccionar e a tocar a cimboa. Foi ainda responsável por diversos projetos de preservação e formação apoiados pelo Ministério da Cultura e pela União Europeia.

Antes de se dedicar inteiramente à música e ao artesanato, o Mestre Pascoal fez carreira militar, tendo recebido formação em Cuba e na antiga União Soviética.

PUB

PUB

PUB

To Top