O Auditório do Campo de Concentração do Tarrafal acolhe, hoje, 24, e amanhã, 25 de Junho, o simpósio internacional sob o lema “Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal: Salvaguardar a Memória, Inspirar a Humanidade” cuja cerimónia de abertura é presidida pelo Presidente da República, José Maria Neves. Este evento integra o processo de candidatura do Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial da UNESCO.
Promovido pelo Governo de Cabo Verde, o simpósio reúne especialistas, investigadores, representantes institucionais e parceiros nacionais e internacionais para refletirem sobre a memória histórica, os direitos humanos, a cultura de paz e o valor patrimonial deste importante lugar de memória.
Segundo o Instituto do Património Cultural (IPC), a comunicação inaugural vai versar sobre o
Tema I “História, Memória e Direitos Humanos”, cujo painel “Origens Históricas e Enquadramento Jurídico” está a cargo do historiador e investigador, Víctor Barros, com o tema “Colónias penais, degredo, deportação, exílio e encarceramento: o quadro jurídico-institucional da deportação política”.
O IPC sublinha que a reflexão académica sobre os dispositivos jurídicos e institucionais associados aos sistemas de repressão e deportação política marca o início dos trabalhos científicos do simpósio, contribuindo para uma leitura histórica e crítica sobre os mecanismos de privação da liberdade e os seus impactos na memória coletiva.
Entre outras comunicações, destaca-se a “Análise Comparativa: Tarrafal e outras prisões” por
Edson de Brito; “O quotidiano no Campo” por Martinho Brito; “Criação da Colónia Penal de Tarrafal (1.ª fase)” por Nélida Brito; “Abertura do Campo de Trabalho de Chão Bom (2ª fase)” por Carlos Ferreira e “O Campo de Concentração do Tarrafal na transição para a independência” por Sandra Inês Cruz.
Candidatura a Património Mundial da UNESCO.
Este simpósio internacional sob o lema “Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal: Salvaguardar a Memória, Inspirar a Humanidade” integra o processo de candidatura do Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial da UNESCO que, segundo o IPC, encontra-se numa fase decisiva, pelo que o simpósio também vai ser dedicado a um ateliê de ressignificação, visando a consensualização em relação à interpretação da memória desse campo de concentração.
A primeira versão da candidatura deve ser submetida à UNESCO até Setembro próximo assente no pressuposto de que o Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal deve ser visto para além do muro da prisão que foi.

