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Desporto

Tubarões Azuis a um passo dos 16 avos de final

A selecção nacional de futebol defronta hoje, sexta-feira, 26, às 23h, em Houston, Texas, a sua congénere da Arábia Saudita, em jogo a contar para a última jornada da fase de grupos da Copa do Mundo, que decorre nos EUA, Canadá e México. Os Tubarões Azuis precisam vencer para não ficarem com a calculadora na mão a fazer contas com vista à qualificação para os 16 avos de final da prova. 

Com uma vitória amanhã, frente à Arábia Saudita, Cabo Verde, que ocupa o terceiro lugar, com dois pontos, dois golos marcados e dois sofridos, garante, pelo menos, o segundo lugar do Grupo H, com cinco pontos, classificando-se directamente para os 16 avos de final. Ainda em caso de vitória, os Tubarões Azuis também podem alcançar a liderança do grupo, o que seria, de todo, o coroar de uma campanha, até aqui, sem igual nos anais do desporto cabo-verdiano. 

Contudo, para que Cabo Verde possa ser o primeiro classificado do grupo H, as selecções da Espanha e do Uruguai, que também se defrontam amanhã, teriam que empatar, para depois serem feitas contas em termos de diferença de golos. Neste momento os espanhóis lideram o grupo com quatro pontos, quatro golos marcados e nenhum sofrido. 

Por seu turno, o Uruguai, que aparece no segundo lugar, com dois pontos, três golos marcados e outros tantos sofridos, é obrigado a vencer a Espanha para poder alcançar o primeiro lugar no grupo. Em caso de derrota ficará fora da prova.  

A Arábia Saudita pode também sonhar com a passagem à fase seguinte da competição, mas para isso terá que derrotar Cabo Verde. Contudo, um empate poderá servir para passar como um dos melhores terceiros classificados, caso o Uruguai for derrotado pelos espanhóis.  

Como funciona este Mundial 

Antes de se fazer contas, sem perder de mira como jogam os nossos adversários, é preciso entender como funciona este Mundial, o primeiro com 48 selecções – antes eram 32 equipas.

O novo formato mantém grupos de quatro equipas, mas aumenta o total de participantes e acrescenta uma ronda eliminatória. As 48 selecções estão divididas em 12 grupos de quatro, sendo que os dois primeiros classificados de cada um dos 12 grupos apuram-se, juntamente, com os oito melhores terceiros, formando 32 selecções nos 16 avos de final. 

A classificação dos terceiros é comparada entre todos os grupos. Isso significa que uma equipa pode terminar em 3.º lugar no seu grupo e ainda assim seguir em frente, desde que tenha melhor registo do que outros terceiros classificados. 

Os critérios de desempate seguem a ordem definida para a fase de grupos, incluindo pontos, diferença de golos, golos marcados e restantes critérios disciplinares ou regulamentares. Até agora o mar tem-se mostrado de feição para os Tubarões Azuis, com dois empates, dois golos marcados e dois sofridos. Depois de empatar com Espanha e Uruguai, tidos como os mais fortes do nosso grupo, a “torcida” cabo-verdiana não vê a hora passar, vitoriosa, sobre a Arábia Saudita. 

Bubista aconselha cautela no jogo com a Arábia Saudita

Na conferência pós-jogo, no empate com o Uruguai, Bubista perspetivou o próximo jogo frente à Arábia Saudita que pode dar a qualificação para a fase a eliminar, admitindo não querer entrar em euforias. “Temos de ter os pés no chão, sabendo que o próximo jogo será difícil”, avisou. 

A Arábia Saudita, como explicou, também tem possibilidades de qualificação, daí não ver qualquer vantagem para Cabo Verde, como muitos têm vindo a dizer. “Pelo contrário, temos de ter o respeito necessário e a atitude correcta para encarar a partida com a máxima seriedade e desportivismo. Devemos isso a todos os nossos adversários. Queremos que as pessoas fiquem a conhecer Cabo Verde pelo que somos. Esta equipa é a identidade do nosso povo”. 

Sobre a campanha no Mundial, até agora e depois de “enfrentar” dois gigantes, Bubista mostrou-se orgulhoso do desempenho dos seus rapazes, orgulho de todos os cabo-verdianos. “Estamos a demonstrar que um país pode ser pequeno e ter dificuldades financeiras, mas, se tiver resiliência e capacidade de sofrimento e trabalhar com organização, consegue ombrear com as grandes selecções. Devemos isso ao nosso continente e ao nosso povo”. 

Como também explicou, o desporto e o futebol, em particular, têm a ver com organização, coragem e determinação. “Quando se entra em campo, e por mais que o adversário seja dos melhores, muitas coisas se igualam. Pegámos nisso para demonstrar aos outros sectores da vida que se podem conseguir as coisas, mesmo com dificuldades, desde que haja um sonho e se corra atrás dele”.

Competir ao mais alto nível”

Instado sobre a possibilidade de qualificação que se desenha, o treinador cabo-verdiano mencionou que os jogadores estão motivados e que vão trabalhar para esse objectivo: “Os atletas estão com essa vontade e fé. Penso que mostrámos isso, num encontro que foi duríssimo, difícil e teve características diferentes do primeiro [empate 0-0 com a Espanha], por causa da agressividade, intensidade e qualidade do adversário”. 

“Desde o início, dissemos que queríamos competir ao mais alto nível e estamos a tentar fazê-lo. Mais do que o resultado, temos mostrado a nossa identidade, força, união e resiliência. Viemos para tentar um novo sonho, que é a qualificação para a fase a eliminar. Penso que é legítimo pensar dessa forma depois do que fizemos perante duas seleções de top mundial. Respeitamos os adversários e sabemos da qualidade que têm, mas estamos num ponto de dizer claramente que vamos lutar pelo apuramento. Qualquer equipa tem possibilidade de passar e os jogos [da terceira e última jornada] serão difíceis para todos”, frisou o seleccionador de Cabo Verde.

As principais figuras da Arábia Saudita

A Arábia Saudita ocupa a última posição do grupo H com um ponto conquistado no empate em 1 a 1 com o Uruguai. Em seguida, perdeu por 4 a 0 para a Espanha. 

O experiente capitão Salem Al-Dawsari foi o herói da vitória memorável sobre a Argentina em 2022. O duas vezes Jogador do Ano da Ásia continua sendo o eixo central desta equipa, com sua qualidade técnica pela ala esquerda. 

O meio-campista Musab Al-Juwayr, de 22 anos, do Al Qadsiah, comandará o meio-campo. E o lateral-direito do Lens, Saud Abdulhamid, é o único jogador da selecção saudita que actua em clube fora do país. 

Os sauditas estão sob o comando do técnico grego Georgios Donis, que assinou contrato válido até julho de 2027 e assumiu o cargo apenas dois meses antes do torneio. 

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