O diretor da Rádio de Cabo Verde, Marcos Fonseca, disse hoje que o jornalista Elvis Neves não está sob sua diretoria e que não é o enviado da RCV para a cobertura do Campeonato Africano das Nações (CAN) em Marrocos, contrapondo as denúncias de alegada perseguição e bloqueio nas antenas da emissora. Fonseca já apresentou uma queixa contra a AJOC, que havia manifestado em Comunicado, condenando a alegada perseguição profissional contra o jornalista Elvis Neves.
Instado a se pronunciar sobre as denúncias tornadas públicas na segunda-feira passada, num comunicado da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), o diretor da RCV, Marcos Fonseca, começou por dizer que o jornalista em questão não faz parte da equipa daquela rádio desde abril do corrente ano.
Segundo Fonseca, Neves foi transferido para a TCV, estando, portanto, sob a hierarquia de outra diretoria.
Quanto ao alegado bloqueio nas antenas da RCV no âmbito da cobertura do CAN em Marrocos, Marcos Fonseca diz que a RCV “não aprovou” o nome do jornalista, tendo a emissora enviado seu próprio colaborador para a missão.
“Elvis Neves foi a Marrocos fazer a cobertura para a televisão. E cada órgão envia o seu próprio jornalista. Tanto é que nós não demos equipamentos de rádio para ele levar”, fundamenta, frisando que o profissional não está em missão para a RCV, pelo que não lhe é solicitado qualquer trabalho para o efeito.
Caderno de encargos
No que diz respeito à alegada imposição de um caderno de encargos, Marcos Fonseca diz que, enquanto diretor, não está envolvido neste processo.
“O diretor tem funções editoriais, não administrativas. E quando este caderno de encargos foi feito eu ainda não era diretor da RCV. Eu apenas solicitei o caderno para saber o que podia ou não pedir ao jornalista, com base no seu contrato”, explicou.
Sobre este assunto, Marcos Fonseca indica, por outro lado, que já houve reuniões com o Conselho de Administração, envolvendo o Sindicato da Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria, Turismo e Restauração (SITTHUR), e que terá ficado provado que o caderno é real.
Queixa contra AJOC
Marcos Fonseca estranha, por outro lado, que a AJOC tenha emitido um comunicado sem ouvir a sua versão e diz que já apresentou uma queixa na Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC).
“A AJOC em nenhum momento me contactou e isto é grave num sindicato de jornalistas. É grave fazer um comunicado sobre alegadas perseguições. Se não está confirmado, como é que pode condenar”, questiona, sublinhando que a AJOC é membro do Centro de Verificação de Factos, pelo que deveria procurar a outra parte, antes de tornar as denúncias públicas.
Natalina Andrade

