A marca Carina 3C junta, em duas mãos talentosas, três amores – Crochê, Costura e Cabelos – de Ana Carina Fernandes. Uma empreendedora que viu tudo destruído num incêndio, renasceu e floresceu, para lá das fronteiras de Cabo Verde.
Cabeleireira, Costureira e Crocheteira. São essas as três funções que dão corpo e nome à marca Carina 3C, de Ana Carina Fernandes.
Natural de São Miguel e nascida no seio de uma família de poucos recursos, cedo esta agora empreendedora conheceu uma vida marcada por esforço, responsabilidade e trabalho.
Ao longo da vida, viveu em diferentes municípios da ilha de Santiago e, por onde passou, foi conciliando trabalho e novas experiências profissionais e de formação, que resultaram, em 2022, na formalização de uma empresa voltada para serviços de beleza e costura, em Tarrafal.
Em 2025 fixou-se na Cidade da Praia e foi na capital do país que fundou a Carina 3C, que hoje abarca três nichos diferentes de trabalho, todos ladeados por um mesmo propósito.
“Sempre gostei de fazer renda. A dada altura assisti a alguns conteúdos sobre croché numa página brasileira e me interessei. Comprei o material e comecei fazendo”, conta Carina, ao relembrar seu início neste nicho.
Da mesma forma, a costura sempre fez parte da sua vida, de forma natural. Era ela quem, na Ribeira de Principal, cortava as calças de amigos e conhecidos, mesmo antes de ter frequentado uma formação na área.
Ana Carina Fernandes também presta serviços de cabelo a domicílio, fazendo tranças africanas e aplicação de tissagem.
O renascimento
No ano passado, em decorrência de cortes frequentes de eletricidade, Carina viu todo o seu material de trabalho e outros trabalhos já prontos serem consumidos por um incêndio.
Não foi, entretanto, motivo para desistir. Reergueu-se, tal como a Fénix, e relançou, em Março último, a marca Carina 3C.
No seu atelier, em Cidadela, alia os serviços de costura à produção de bolsas e trajes de banho em crochê. Este último, tem sido o principal pilar do seu trabalho, e já conquistou o coração de cabo-verdianos em países como França e Portugal.
Neste período, as bolsas com a estampa da bandeira de Cabo Verde tem sido muito pedidas, em uníssono com a festa do Mundial de Futebol.
Aliás, no que diz respeito ao croché, é na diáspora que Ana Carina tem sua principal clientela, já que o trabalho de crochê é minucioso e, como tal, seu valor não está ao alcance do poder de compra de todos.
Por enquanto faz todo o trabalho sozinha, conforme o tempo permite e os pedidos, pois uma única bolsa pode representar dois dias de trabalho. Mas o objectivo é trabalhar, um dia, para abrir um espaço amplo, onde conciliar salão de beleza, costura e crochê.
Para além do seu talando e persistência, Carina destaca o apoio incondicional do marido, que por coincidência do destino é formador na área de negócios. Uma dupla perfeita.
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