Psicólogos que integram as equipas de apoio às comunidades afectadas pelo acidente de 05 de Setembro, no Fogo, desaconselham o adiamento do início do ano lectivo, considerando que o regresso às aulas pode contribuir para a recuperação das crianças.
O ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, informou esta sexta-feira,11, que a recomendação dos psicólogos é para que o início das aulas não seja adiado por mais uma semana, embora a situação de cada criança deva ser avaliada individualmente.
“Não devemos adiar o início do ano lectivo”, afirmou o porta-voz, que explicou que as crianças que demonstrarem receio ou recusarem regressar às aulas poderão ter o seu início adiado, enquanto para aquelas que desejarem voltar à escola o regresso poderá ser benéfico.
Convívio pode ajudar crianças
Segundo Lúcio Miranda, citado pela Inforpress, a presença dos amigos e colegas na escola poderá contribuir para o processo de recuperação psicológica das crianças afectadas pelo acidente.
Lúcio Miranda indicou que os ministérios da Família e da Educação estão a analisar a questão para encontrar a melhor solução, tendo em conta a situação particular de cada criança.
Equipa de apoio psicossocial continua no terreno
O ministro anunciou ainda que as equipas de apoio psicossocial continuarão no terreno para acompanhar os sobreviventes, os feridos internados, as famílias que perderam familiares e as que têm pessoas feridas.
Parte da actual equipa deverá regressar este sábado à cidade da Praia, sendo substituída na segunda-feira por uma nova equipa, que permanecerá na ilha durante um mês.
O plano de acompanhamento poderá ser prolongado até três meses, dependendo das necessidades identificadas no terreno.
Formação para intervenientes diretos
Conforme a mesma fonte, antes do início das aulas está prevista também uma formação dirigida aos professores das comunidades afectadas, condutores que transportam alunos e auxiliares das escolas, bem como à comunidade em geral, com o objectivo de melhorar a forma de lidar com os sobreviventes e respectivas famílias.
População deve evitar abordagens às crianças
Lúcio Miranda apelou igualmente à população para evitar abordagens aos sobreviventes, sobretudo crianças, relacionadas com o acidente, bem como pedidos de fotografias ou perguntas sobre o sucedido.
“Quanto menos falar sobre o acidente, melhor para elas”, afirmou o porta-voz do Gabinete de Crise que alertou que comportamentos dessa natureza podem agravar o sofrimento psicológico das crianças e interferir no seu processo normal de recuperação.
Além dos psicólogos, equipas médicas estão a deslocar-se às residências de pessoas identificadas como necessitando de acompanhamento clínico e o hospital, a câmara, o Ministério da Família, a Protecção Civil e a Polícia Nacional estão envolvidos no processo de apoio às famílias.
Não visitar a zona do acidente
Relativamente ao local do acidente, o porta-voz do Gabinete de Crise apelou à população para não se deslocar à zona, sobretudo durante o fim-de-semana, para tirar fotografias ou observar o autocarro, devido ao risco de novos acidentes.
Parte do acesso ao local já foi vedada e a Polícia Nacional reforçará a vedação e manterá presença permanente no local para impedir aglomerações e garantir a segurança.
C/ Inforpress

