Cabo Verde registou, em 2024, a menor taxa de natalidade dos últimos oito anos. Nasceram menos 814 bebés em relação ao ano anterior. Os casamentos também diminuíram, menos 129. Os óbitos aumentaram 6%. Sinais que vêm acentuar a perda de população.
Em 2024 nasceram, em Cabo Verde, 5999 bebés vivos. Este número, avançado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, representa uma diminuição de 1.7% em relação ao ano anterior, correspondente a 814 nascimentos a menos. E, deste número, prevaleceram bebés meninos, a representar 50,9%.
A taxa de fecundidade, que representa o número de bebés por cada mil mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), também confirmou a tendência decrescente, ao diminuir de 77,1% em 2026 para 52,5% em 2023, e para 46% em 2024.
Dos nados-vivos registados no período estudado, 117 resultaram de partos gemelares, com maior concentração na Praia e São Vicente, registando-se 42 e 15 casos, respetivamente.
Filhos cada vez mais tarde
Outra tendência verificada neste estudo é o aumento da idade média ao nascimento de um filho. Passou de 26,2 em 2016 para 27,8 em 2024.
O relatório do INE também aborda a falta de identificação paterna no registo dos bebés, uma questão antiga na sociedade cabo-verdiana. Cerca de 6,4% dos registos de nascimento foram efectuados sem identificação paterna, com maior incidência na ilha do Maio.
Óbitos aumentaram
Em 2024, foram registados 3.082 óbitos em Cabo Verde, mais 157 do que em 2023, correspondendo a uma Taxa Bruta de Mortalidade (TBM) de 6,0%, superior à observada no ano anterior (5,7‰).
O nível de mortalidade é superior entre o sexo masculino, 54,9%, em relação aos registados no sexo feminino (45,1%).
Esta diferença revela uma taxa de mortalidade de 6,6 óbitos por cada 1.000 homens, e de 5,5 óbitos por cada 1.000 mulheres.
Diz o INE que a mortalidade continua “fortemente” concentrada na terceira idade, sendo que cerca de 58,3% dos óbitos ocorreram em pessoas com mais de 65 anos.
Foram registadas, por outro lado, 139 óbitos em crianças menores de cinco anos, dos quais 118 ocorreram antes do primeiro ano de vida.
A mortalidade neonatal, nos primeiros 27 dias de vida, atingiu 9%, correspondente a 77 óbitos. A maior parte ocorreu nos primeiros sete dias de vida.
Casou-se menos e mais tarde
Em 2024, foram registados 2.236 casamentos em Cabo Verde, menos 199 do que em 2023. Em consequência, a Taxa Bruta de Nupcialidade (TBN) diminuiu de 4,8% para 4,4%.
Os dados do INE revelam uma tendência crescente de adiamento do casamento para ambos os sexos. Os homens continuam, em média, a casar-se mais tarde do que as mulheres, com uma diferença média de quatro anos.
Entre 2016 e 2024, a idade média ao casamento passou de 38,6 para 41,3 anos entre os homens e de 34,5 para 37,2 anos entre as mulheres, traduzindo num aumento de 2,7 anos em ambos os grupos.
A maioria dos casamentos celebrados correspondeu a primeiros casamentos, isto é, uniões em que ambos eram solteiros. A via civil é a privilegiada em 93,9% dos casos.
Natalina Andrade

