Criada no meio rural, Sandra Tavares sempre teve a agricultura no sangue. Apesar de seguir caminhos diferentes, o campo nunca deixou de fazer parte do seu quotidiano. E quando o mundo parou, onde muitos viam o fim, ela viu um novo começo. Hoje, aos 43 anos, divide o seu tempo entre o campo e a sala de aula.
Professora de profissão, durante muitos anos Sandra manteve-se afastada da agricultura. No entanto, com a chegada da Covid-19, o seu olhar voltou-se novamente para o campo.
A ideia era ter uma fonte de rendimento extra, numa altura em que nada era garantido. O que começou por ser uma necessidade acabou por transformar-se numa paixão e num projecto que hoje ocupa um lugar importante na sua vida.
Através dos vídeos que partilha nas suas redes sociais, Sandra tem despertado o interesse de várias pessoas, que procuram saber mais sobre a agricultura e manifestam vontade de conhecer esta realidade de perto.
Segundo a empresária, muitas pessoas valorizam cada vez mais o contacto com o meio rural, demonstrando que a agricultura continua a ser uma fonte de rendimento para muitas famílias cabo-verdianas apesar da falta de chuva.
Para lidar com o problema da água, Sandra conta que tem recorrido a rega de gota a gota, para sustentar as suas plantações que variam desde tomates a mandiocas, cana-de-açúcar, batata-doce e amendoim.
A escassez de mão de obra também se tornou um obstáculo para a Sandra, levando-a a fazer a maior parte do trabalho sozinha, apesar de contar com o apoio de familiares.
“As mulheres não são tão frágeis como muitas vezes se diz”, afirma, determinada a continuar a cultivar a terra, o conhecimento e o próprio caminho.

