A Tourism Development Cape Verde, S.A. (TDCV), passou a assumir uma posição maioritária no Vila Verde Resort, situado na cidade de Santa Maria, ilha do Sal, com a adquisição das fracções da Tecnicil Imobiliária e a compra da carteira de créditos malparados, concretizada no âmbito de um processo de transação de quase dois anos de negociações. A TDCV, S.A. que, passa a deter o controlo da gestão desse empreendimento turístico, já está a executar intervenções nas infraestruturas e áreas comuns, estando prevista para 2027 a retoma da atividade turística.
O Vila Verde Resort, que integra mais de 1.260 unidades habitacionais numa área de cerca de 45 hectares, conta com proprietários privados individuais, nacionais e estrangeiros, cujos direitos não são afectados pela operação que levou a TDCV esta posição maioritária.
Uma nova fase para o empreendimento
A nova fase do Vila Verde Resort contempla uma melhoria global das infra-estruturas pelo que os activos privados poderão ver aumentar o seu valor de mercado.
“O programa inclui manutenção preventiva, medidas de eficiência energética, reorganização dos serviços de gestão dos condomínios e reforço da segurança e do controlo de acessos, com o objectivo de recuperar as áreas comuns e criar condições para a retoma da operação turística”, avançou ao A Nação online uma fonte próxima da TDCV.
Para assegurar esta nova fase, foi constituída uma Comissão de Gestão dos condomínios, composta maioritariamente por profissionais com funções operacionais desde a construção do empreendimento.
Também está a ser implementado um novo modelo de comunicação com os proprietários, procedimentos internos de transparência e canais regulares de informação.
Residências regressam ao mercado
Em paralelo com a recuperação do complexo, a TDCV, S.A. iniciou a comercialização de parte do inventário residencial adquirido, incluindo vilas, townhouses e apartamentos seleccionados.
As unidades, conforme avançou a fonte do A Nação online, destinam-se à residência permanente, segunda habitação ou investimento.
“O novo Vila Verde Resort mantém também uma oferta própria de alojamento de longa duração. Esta componente integra a estratégia de reactivação gradual do empreendimento, antecedendo a retoma da operação turística”, garantiu a mesma fonte.
Regresso da operação turística em 2027
Segundo uma fonte interna da TDCV, S.A., a retoma da actividade turística está prevista para 2027. “A empresa encontra-se a trabalhar na contratação de um operador internacional para o Vila Verde Resort, não existindo ainda, nesta data, uma decisão conhecida”.
O plano actualmente em preparação prevê que a operação turística arranque com cerca de 450 unidades habitacionais, correspondentes a uma capacidade estimada de mais de mil camas, integrando alojamento, restauração e animação.
“Os proprietários que o desejem poderão, no futuro, colocar as suas unidades nesta exploração, beneficiando de uma gestão assegurada pelo resort e de um retorno certo. A médio prazo, o plano de desenvolvimento contempla ainda o reforço da capacidade hoteleira e das comodidades do empreendimento, consolidando o Vila Verde Resort como uma oferta turística e residencial relevante na ilha do Sal, garantiu.
Processo negocial que conduziu à posição maioritária da TDCV
Foi em Maio último que a Tourism Development Cape Verde, S.A. (TDCV) concluiu a aquisição à Tecnicil de cerca de 1.000 fracções autónomas do Vila Verde Resort. Em Julho, a empresa também finalizou a compra da carteira de créditos malparados, cujo capital total ascendia a cerca de 95 milhões de euros, que o Novo Banco, S.A. detinha sobre esses activos, garantida por hipotecas dessas mesmas 1.000 fracções.
Além da hipoteca dos imóveis, a garantia do crédito do Novo Banco era reforçada por avales pessoais dos antigos accionistas (Alfredo Carvalho, Olavo Correia, Simão Monteiro, António Fernandes e Jorge Benchimol Duarte).
A operação de quase dois anos, concretizada no âmbito de um processo internacional competitivo e coordenado pela consultora Deloitte, permitiu à TDCV, S.A. assumir uma posição maioritária no empreendimento e avançar com um plano de recuperação e relançamento do resort. Porém, não foram divulgados os termos financeiros da transação.
Uma operação construída em duas frentes
Este processo envolveu duas negociações simultâneas e interdependentes: a aquisição das fracções hipotecadas à Tecnicil Imobiliária (promotora do empreendimento) e a aquisição ao Novo Banco, em Portugal, da carteira de créditos associada a esses activos. Recorde-se que este processo remonta ao tempo do antigo Banco Espírito Santo, que foi o financiador do projecto Vila Verde Resort.
A carteira adquirida tem um valor nominal que engloba o capital em dívida no montante de 95 milhões de euros, ao qual se acrescentam os juros acumulados. A componente creditícia constituía um dos principais obstáculos à resolução do processo, depois de anteriores tentativas de alienação não terem chegado a concretizar-se.
Conforme A Nação online apurou junto de uma fonte próxima deste negócio, “esta operação demorou quase dois anos porque envolvia partes com interesses muito diferentes e que estavam em litígio, o que obrigou a encontrar uma solução complexa, mas holística, que permitiu um resultado aceitável para as partes e por isso foi bem-sucedida”.
A estruturação e execução financeira do processo de negociações foi liderada por Francisco Ferreira, ex-CEO do IIB (Intercontinental Investment Bank), com a assistência jurídica de Luís Rodrigues, da Miranda Alliance, “possuidor de grande experiência” em Cabo Verde. A equipa foi complementada por Victor Fidalgo, ex-Presidente da Cabo Verde Investimentos, “com vasta experiência na promoção de investimentos turísticos no país e interveniente como parceiro financeiro da operação”.
Além do contributo financeiro dos accionistas Victor Fidalgo e Francisco Ferreira, o financiamento complementar foi assegurado pelo BCA (já sob o controlo da Coris Holding) e pelo Banco BAI Cabo Verde.
Daniel Almeida

