O candidato presidencial Gilson Alves dispensou, em carta endereçada ao Comandante Regional da Polícia Nacional de São Vicente, a proteção policial dada pela instituição durante a campanha eleitoral, alegando que a corporação “não lhe inspira confiança” e que, em caso de atentado contra a sua vida, chamará os Bombeiros e a Proteção Civil onde tem “amigos”.
A carta assinada pelo candidato, com data de ontem, 20, e dirigida ao Comandante Regional da Polícia Nacional São Vicente, contém uma série de denúncias que, a Gilson Alves, justificam a decisão de dispensar o serviço de proteção pessoal do candidato presidencial durante a campanha eleitoral.
A decisão, diz, é definitiva. Na carta Gilson Alves aponta oito situações que o fizeram tomar tal decisão.
No primeiro ponto, diz categoricamente que a corporação não lhe inspira confiança e diz que tem constatado inimizade da Polícia Nacional em São Vicente contra ele.
“Por franqueza, devo dizer-lhe que, na minha opinião, pelo que eu tenho constatado, a inimizade da Polícia Nacional em São Vicente contra a minha pessoa é tal, que julgo mais provável que algum agente me meta uma bala na cabeça do que aceite, durante as suas funções, levar uma bala para a proteção do candidato Gilson Alves”, lê-se na carta.
Glison diz que PN deu-lhe vários exemplos de desleixo
Gilson Alves diz que a PN em São Vicente deu-lhe vários exemplos de desleixo, incompetência e de desprezo pela sua segurança, gerando um desgaste inevitável.
“Há alguns dias, na Praça Manuel Ratim, aquando de um evento da minha candidatura que contou com a presença da TV e de alguns agentes pertencentes ao seu Comando, os ditos agentes referiam-se à minha pessoa e aos meus acompanhantes como uma associação criminosa, segundo testemunha que ouviu um agente a comunicar-se com outro. Ou seja, para alguns na sua esquadra, o candidato Gilson Alves é referido como um criminoso, não o Sr. Candidato, não um legítimo candidato à Presidente da República”, continua na carta.
Gilson também fez uma denúncia, alegando que um agente reformado, a quem identificou apenas de “Antão”, residente na zona de Madeiralzinho terá dirigido ao seu mandatário nacional e o advertido para que abandonasse a campanha eleitoral de Gilson Alves.
“ (…) dirigiu-se ao meu mandatário nacional e advertiu-lhe para que este abandonasse a minha campanha, pois, segundo ele, eu sou investigado por pertencer à uma quadrilha e por crime de armas e, ainda, segundo ele, o meu mandatário corre risco de ir parar à cadeia comigo. O ponto acima revela, apesar de o Sr. Antão ser um agente reformado, que há uma grande inimizade dos agentes em relação à minha pessoa”, diz.
A atitude foi considerada “ilegal, e provavelmente criminosa” pelo candidato que disse ser “obstrução de campanha eleitoral, violação do dever de imparcialidade, e uma ingerência abusiva e imoral da autoridade pública”.
Candidato diz preferir chamar os Bombeiros e Proteção Civil em caso extremo
Gilson terminou a carta dizendo que “há zero condições para aceitar a proteção policial da Polícia Nacional” e que caso haja algum atentado contra a sua vida, “chamaremos os bombeiros e a proteção civil, que lá tenho amigos”.

