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Diáspora

Trump sofre derrota histórica: democratas ganham Câmara dos Representantes e Senado dos EUA

Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições intercalares de ontem, terça-feira, 03 de novembro, impondo uma pesada derrota política ao Presidente Donald Trump que, apesar de reconhecer a derrota, reiterou a sua ameaça de vetar as iniciativas da maioria democrata no Congresso norte-americano.

Conforme destacam os meios de comunicação, os resultados dos democratas foram muito maiores do esperado, alcançando vitórias surpreendentes em estados republicanos. No Michigan, Abdul El-Sayed reivindicou a vitória sobre o republicano Mike Rogers, tornando-se, segundo as projeções posteriormente divulgadas, o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano.

A perda das duas maiorias no Congresso (Câmara dos Representantes e no Senado) muda o equilíbrio de forças em Washington e compromete a capacidade de Trump de aprovar a sua agenda nos dois últimos anos de mandato que lhe restam. O novo Congresso assume funções em janeiro de 2027, altura em que a oposição poderá usar as suas maiorias para bloquear projetos, investigar a administração e barrar nomeações presidenciais.

Democratas derrubam redutos republicanos e rompem jejuns históricos

Até a manhã desta quarta-feira, 04 de novembro, as projeções da Associated Press (AP) indicavam ao menos 225 cadeiras democratas na Câmara, acima das 218 necessárias para controlar a Casa, que tem 435 integrantes. No Senado, o bloco democrata alcançava pelo menos 54 das 100 cadeiras, superando as 51 necessárias para a maioria.

Os números permanecem parciais, com disputas ainda sem definição. A conquista das duas Casas, porém, já estava projetada. A dimensão histórica do resultado aparece nas vitórias democratas em estados onde o partido acumulava décadas de derrotas nas eleições para o Senado.

No Texas, James Talarico derrotou o procurador-geral republicano Ken Paxton. O estado não elegia um senador democrata desde 1988. No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall, encerrando um jejum democrata iniciado em 1932 – há 94 anos. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu em um estado que não elegia um senador democrata desde 1998.

A onda de victória dos democratas também atingiu Ohio, Iowa, Carolina do Norte e Maine. Segundo a AP, os democratas tomaram ao menos sete cadeiras do Senado dos republicanos, ampliando o alcance da derrota do partido de Trump.

Primeiro senador muçulmano da história dos EUA

A composição do novo Senado também terá marcos de representatividade. O progressista Abdul El-Sayed, eleito por Michigan, será o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. Chris Pappas, de New Hampshire, será o primeiro homem abertamente gay a integrar a Casa.

Entre os republicanos, Byron Donalds foi eleito o primeiro governador negro da Flórida, ao derrotar o democrata David Jolly.

O que muda com o Congresso nas mãos dos democratas

Com a nova composição da Câmara dos Representantes e do Senado, os democratas terão poder para barrar projetos do governo, fiscalizar gastos públicos e abrir investigações sobre a administração republicana. Trump passará a negociar com uma oposição que controlará as duas Casas legislativas.

A maioria no Senado representa um obstáculo adicional para a Casa Branca. Cabe aos senadores aprovar ou rejeitar indicações presidenciais para ministros, embaixadores e juízes federais, inclusive integrantes da Suprema Corte, caso surja uma vaga.

O partido do presidente costuma perder espaço nas eleições de meio de mandato, como ocorreu em quase todas as disputas desde a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, o revés inclui a perda simultânea das duas maiorias e derrotas em redutos conservadores. Para Trump, o resultado significa enfrentar os dois últimos anos de governo com um Congresso de oposição e a perspectiva de confrontos permanentes sobre sua agenda.

Trump ameaça com o seu poder de veto

Diante das projeções de derrota, Trump declarou ao The New York Times estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados” e afirmou que “provavelmente chegaremos a um entendimento” com os democratas no Congresso.

A sinalização de diálogo veio acompanhada de uma ameaça de bloqueio legislativo. Em sua conta na Truth Social, o presidente publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”.

A estratégia já havia sido antecipada em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, disse. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, vêm até nós e fazemos um acordo.”

Ao mesmo tempo, Trump tentou afastar-se da responsabilidade pelo resultado. Na sua rede social, argumentou que o seu nome não estava nos boletins de voto e que, se estivesse, os republicanos teriam vencido “de lavada”.

O presidente classificou a decisão de entrar em guerra com o Irã como “muito sensata” e afirmou não se arrepender de nada. Apesar das derrotas republicanas, descreveu os dois primeiros anos de seu segundo mandato como “o período de dois anos mais bem-sucedido na história de qualquer presidente”.

Guerra com o Irã e custo de vida pesam contra Trump

A derrota dos republicanos ocorreu num cenário de desgaste do governo de Trump, marcado pela insatisfação com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida. O descontentamento alcançou eleitores de estados que haviam contribuído para a vitória presidencial de Trump em 2024.

Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira 02 de novembro, véspera da votação, mostrou o presidente Trump com 32% de aprovação, perto de seus piores índices históricos. O levantamento foi realizado entre 29 de outubro e 02 de novembro.

O desejo de impor limites ao presidente também apareceu em pesquisas com eleitores citados pela Reuters: metade dos entrevistados via nas eleições intercalares de ontem, terça-feira, 03 de novembro, uma oportunidade de repreender Trump, enquanto 70% queriam que o Congresso exercesse maior controle sobre o presidente.

C/Agências Internacionais de Notícias

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