PUB

Cultura

Concurso quer reactivar hip hop em Cabo Verde

A cidade da Praia acolhe, a 23 de Maio, o concurso nacional de hip hop, no Parque 5 de Julho. Uma iniciativa do dançarino Djam Neguim (Bruno Amarantes), que quer devolver o lugar que esse estilo de dança urbana já teve no país. Para além disso, o concurso pretende homenagear o falecido artista plástico Dudu Rodrigues, que trabalhou muito em prol do desenvolvimento do hip hop.
Seis grupos foram seleccionados para o primeiro concurso nacional de hip hop: Deveby Ask (Santo Antão), TNT (São Vicente), Dinamikus (São Nicolau), Tailor Gang (Sal), Black Angel (Santiago), Beku Sketi (Fogo), e ainda com a participação especial do grupo SD, do Maio, que não consegue participar como concorrente, mas fez questão de estar presente.
Segundo Djam Neguim, os praticantes de hip hop do Maio convidaram-no, em Agosto de 2014, para organizar um concurso naquela ilha, de modo a estimular este estilo de dança urbana. “Pensei em transformar isso num concurso a nível nacional e comecei a elaborar o projecto. A ideia era conseguir ir a cada ilha, mas por falta de recursos, o concurso teve que ser virtual”, afirmou.
Através da internet, cada grupo enviou vídeos para a organização. Foram necessários 10 meses para que tudo esteja a postos. Um jurado fez a triagem e resultou em sete escolhas. Mas, segundo o mesmo dançarino, como a ilha do Maio não conseguiu passagens para todos os integrantes “segundo o regulamento deve estar presentes no mínimo cinco concorrentes por grupo”, aceitaram participar como convidados especiais.
DINAMIZAR HIP HOP
O principal objectivo deste concurso, de acordo com o organizador, não é obter um campeão nacional nem mostrar quem é melhor nesse estilo de dança. Para Djam, reactivar o hip hop é o principal mote deste evento. “O que menos interessa no meio da história é a competição em si. Já tinha dito antes que a arte não é um desporto, e que organizo concursos não para dar atestados de qualidade nem para encher egos e promover rivalidades”.
O concurso nacional, acrescenta, “é organizado estrategicamente para que se junte o Cabo Verde que dança Hip Hop e por breves momentos conectar pessoas, trocar experiências, criar cumplicidades, gerar pensamentos, soluções, motivações, auto-estima, confiança, resolução, prosperidade”. Pois o que se quer é “mudança e evolução”. “Só por isso, e mais nada”, garante.
Para a primeira triagem, foram contactados júris nacionais, mas para o concurso final, a 23 de Maio, foram convidados “grandes” nomes do estilo. “Ques BadGuy (da Holanda), Revelino Marciano (Luxemburgo) e o tri-campião mundial de BreakDance, o B Boy Lilou, da França. O júri foi contactado através dos managers, via internet. Desde o inicio mostraram-se muito receptivos e entusiasmados em virem”, salientou Djam Neguim.
Esta é a primeira vez que esses dançarinos vêm a Cabo Verde e, de acordo com Neguim, estão felizes por contribuir como júri de dança, num estilo que dominam e viajar para um país pequeno onde existem praticantes que ainda resistem.
Reunir todos os elementos de hip hop das sete ilhas, mais júris internacionais não foi fácil, devido a problemas financeiros e dificuldades em conseguir patrocínios ou parceiras, mas Djam Neguim acredita que já foi mais difícil. “Talvez em um outro momento e em outro contexto, teria sido mais difícil. O facto de ele estar a acontecer é afinal prova de que é possível, mas com muito trabalho por cima. Como referi anteriormente, foram 10 meses a organizar, captar recursos, planificar. O facto de a Djam Projects ter um percurso, de já ter prestado provas a vários níveis de que é capaz de organizar, cativar jovens, desenvolver actividades de dança com qualidade e conteúdo, facilitou que este concurso tivesse mais portas abertas”, diz Djam Neguim.
Para a realização deste concurso, a Djam Projects teve que recorrer a alguns parceiros, pois a “captação de fundos foi a primeira maior dificuldade” a ser ultrapassada. “Este concurso é um resultado de vários esforços e dedicação. Conseguimos proezas como trazer o tri-campeão mundial de break dance. É um sonho de qualquer programador de concursos e festivais ter a lista de jurado que nós temos”, sublinha.
HOMENAGEM DUDU RODRIGUES
O concurso de Hip Hop também homenagear um dos jovens que desenvolveu inúmeros trabalhos nesse estilo, com projectos como Hip Hop Art, o grupo de dança África Roots, que participou num concurso internacional em Ougadougou, Burkina Faso, entre outros projectos relativamente a artes urbanas,.
“Dudu  foi um artista que deu um contributo muito grande para o desenvolvimento da arte urbana na cidade da Praia. Ele esteve sempre muito ligado ao movimento hip hop, na música, no graffiti e mesmo na dança. Se estivesse vivo, estaria com certeza associado ao projecto”, afirmou com nostalgia.
Para Djam Neguim, viu-se neste concurso uma oportunidade de fazer-lhe uma homenagem póstuma “pois o seu falecimento passou muito em branco, a nível de reconhecimento artístico”, aponta.
Nesse dia do concurso, a organização pretende entregar um “troféu de reconhecimento” à família daquele artista plástico que sempre esteve pronto a fazer parte de projectos que levassem o nome de Cabo Verde para a frente. “Perdemos um artista que trabalhava em muitas frentes, graffite, pintura facial, pintura corporal, hip hop, entre outros”, conclui.

PUB

Adicionar um comentário

Você precisa estar logado para escrever um comentário Login

Faça o seu comentário

PUB

PUB

To Top