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Opinião

Olhares de Lisboa: Revisões 

Por: Filinto Elísio

0. A politóloga americana Lani Guinier, em “The Tyranny of the Majority”, inicia o seu livro com uma epígrafe do romancista nigeriano Chinua Achebe: “The poet who is not in trouble with the king is in trouble with her work.”
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1. Repesco, com interesse, a “Análise da Semana”, do último Jornal de Domingo (TCV). Os olhares (e os comentários) de José Luis Neves e Paulo Mendes sobre a atualidade nacional revelam lucidez e serenidade. Charme no diapasão daquele de Filomena Delgado e Maria Cristina Fontes. Ou quando, de raro em raro, nos aparece Jorge Tolentino. Aprender, aprender sempre…
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2. O empresário e benemérito Mo Ibrahim considerou (por honra coletiva) Pedro Pires com um herói africano. Num evento no Marrocos, Ibrahim enalteceu também o processo democrático cabo-verdiano, hoje referência em África e na CPLP, já a caminho de “totalmente livre”. A despeito da conjuntura e da circunstância do Mundo (e de Cabo Verde), sabemos que se pode fazer mais. Que se pode fazer melhor.
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3. Num texto de Rui Gustavo, no “Expresso”, a questão sobre a prisão de Lula da Silva era posta assim: “Se for culpado, é triste. Se estiver inocente é trágico.” Todavia, se for complot fascista, mais um da Bancada BBB (Bullets, Beef and Bible) Caucus -, isto direi eu, é acabar de vez com os torturadores.
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4. Não faltará assim tanto para que os lordes, seus justiceiros e seus verdugos tenham os próprios pescoços na guilhotina, sentenciados então pelos amantes da “liberdade, igualdade, fraternidade”. Olhemos, serenos e resolutos, para o tempo-cronómetro. Uma manhã redentora vai acontecer…
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5. Este é o ano da canonização do Papa Paulo VI, conforme anunciara o Papa Francisco. Quando Martin Luther King foi assassinado em 1968, o Papa Paulo VI fizera um paralelo entre esse martírio do pastor pacifista e a Paixão de Cristo. Este mesmo Papa, a 1 de Julho de 1970, recebia em audiência os líderes Amilcar Cabral, António Agostinho Neto e Marcelino dos Santos. Tal como o Papa João XXIII (e agora o Papa Francisco), Paulo VI fora um progressista e um cristão puro. Pela paz e pela libertação. Santificado seja seu nome…
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6. O demónio da guerra anda cada vez mais solto na Síria (como também ali vai desenfreada a fuzilaria química). Enquanto isso, a consciência do mundo, de receosa e interesseira, permanece no registo cúmplice. Uma vez mais, a conspiração dos maus e o silêncio dos bons permitem o genocídio. Voltámos ao ponto crítico na espiral da barbárie? Que mundo!

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7. Parte do espólio (em livros) de Linda Bimbi, ‘paladina dei diritti umani’, será doada pela Fundação Lello e Lisli Basso à biblioteca da Presidência da República de Cabo Verde. “Bimbi ha messo i movimenti anticoloniali al centro del suo impegno politico e intellettuale”, dizia-me alguém. O gesto põe mais uma ‘pedra segura’ na já intensa relação entre os italianos e os cabo-verdianos, marcada não só pela expressiva comunidade crioula imigrada na Itália, mas pelo “acompanhamento solidário” de grandes figuras italianas ao processo de libertação de Cabo Verde.

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