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Cultura

Joelma Gomes e a identidade cultural dos penteados africanos

Joelma Gomes é uma jovem guineense, de 27 anos, que trabalha como produtora, coreógrafa de desfiles de moda, designer de cabelos e fundadora da marca Sama Karaw.“Sama Karaw”, segundo Joelma, é um termo originário do Wolof, língua senegalesa, que significa “Meu Cabelo”. A residir há 14 anos em Cabo Verde criou, em 2021, este projecto como forma de promover a identidade cultural dos penteados africanos.

“Criei o projecto em Maio de 2021, em comemoração ao dia da diversidade cultural, após o desafio da Comissão Nacional do Unesco em Cabo Verde (CNUCV) onde fizemos uma oficina de penteados africanos”, conta em entrevista ao A NAÇÃO.

Depois de aceitar o desafio de aprimorar a prática em fazer penteados africanos, Joelma Gomes fez o seu primeiro lançamento, em parceria com uma outra marca nacional – Mize Acessórios, criada pela jovem cabo-verdiana Mize Varela.

Sama Karaw, conta Joelma, “faz uma viagem visual pela história dos penteados feitos no dia a dia das mulheres africanas e nos faz refletir sobre as características culturais dos nossos cabelos, bem como a sua aceitação e o empoderamento”.

Mais do que moda, é identidade

Num outro ponto de vista, Joelma diz que “hoje em dia estão usando muito as tranças, porque é fácil de cuidar e ainda livra-te da chapinha e demais químicos”, no entanto, conta que tem observado que muitas pessoas têm aderido às tranças africanas, “mas não sabem a verdadeira história por detrás”.

Ademais, exemplifica que há pessoas ainda que afirmam que “Nsa usa pmd sta na moda” (usamos porque está na moda), mas alerta que o “nosso penteado não é apenas uma moda, é muito mais do que isso, é identidade”.

Por isso, Sama Karaw assegura que procura fazer a recriação dos penteados africanos antigos de diferentes regiões do continente e trazer para a actualidade.

“Fazer com que as pessoas percebam que o uso das tranças na cabeça da mulher africana vai muito além de um simples penteado, tem uma ligação histórica e espiritual”.

Para finalizar, Joelma acrescenta que “na África continental os penteados sempre foram carregados de simbologia”, pois, indicavam várias características, nomeadamente, “o status da pessoa, estado civil, identidade étnica e inclusive a região geográfica”

Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 783, de 01 de Setembro de 2022

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