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São Vicente

Gildoca Barros: artista urbana

Gildoca Barros, natural de São Vicente, marcou presença e representou Cabo Verde na segunda edição da Residência NZINGA, que teve lugar em Luanda, Angola, entre 20 de Janeiro e 24 de Fevereiro.

 A Residência NZINGA, que faz parte da programação da Galeria Movart, teve as suas duas primeiras edições destinadas exclusivamente a mulheres artistas emergentes nos Países de Língua Oficial Portuguesa – PALOP. Um projecto “de mulheres e para mulheres”, para promover o empoderamento e a produção cultural no feminino.

Gildoca Barros, artista urbana, participou da residência ao lado de outras artistas de Angola e Brasil (Colectivo ABC), cada uma a explorar uma disciplina.

No seu caso, o seu trabalho debruçou-se sobre o cabelo africano e sua história, mais propriamente a Carapinha, um penteado típico do continente, representado através da ilustração.

O seu interesse, segundo diz, partiu de visitas feitas durante a programação a algumas localidades em Luanda. “Observava a maioria das mulheres e também crianças com esse estilo incomum de pentear o cabelo, de entrelaçar os fios, cada uma com um formato diferente. Confesso que no primeiro olhar parecia dreadlocks, mas percebi que havia algo mais”, explicou a artista. 

Cultura negra

“Por muito tempo a cultura negra passou a ser desprezada e banida da sociedade. Quando se fala na carapinha, cabelo crespo, cabelo blackpower e tranças o assunto vai além da estética e é certo que é um dos aspectos mais abordados quando se trata da identidade ou representatividade Africana”, frisa, ainda, a artista.

Depois de quase um mês e meio de trabalho, no dia 23 de Fevereiro foi realizado um Open Studio na Galeria Movart, onde foram expostos os três trabalhos elaborados pelas artistas – Oksanna Dias (Angola) Jasi Pereira (Brasil) e Gildoca Barros (Cabo Verde).

Horizontes “mais alargados”

No final da experiência, o trabalho de Gildoca Barros resultou numa tela de 216 x 97, denominada enCarapinhar, utilizando a técnica da tecelagem e com recurso a materiais como tecido de tela, corda naval e linha de algodão.

Para além da partilha com artistas de outros países e contacto com uma cultura e vivência diferente daquela a que está habituada, a muralista e artista urbana, volta a Cabo Verde com os horizontes alargados, e com um repertório artístico e identitário mais rico, a complementar aquilo que tem sido o seu trabalho de intervenção desde 2018.

Através do seu trabalho, tem lutado contra várias formas de preconceito, especialmente contra as mulheres.

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