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Países africanos querem um novo mapa-múndi

Para os mais atentos a estas coisas da geografia mundial, as dimensões dos continentes registadas nos mapas-múndi ou planisférios, salta à vista que a gelada Gronelândia bate a África em tamanho. Mas será mesmo assim? Ao descobrirmos que a superfície do continente africano é de 30 370 000 de quilómetros contra 2 160 086 da Gronelândia, vemos que alguma coisa está errada nesta cartografia. É por isso que alguns movimentos querem outro mapa-múndi, onde a África não surja diminuída no seu tamanho real. E já contam com o apoio da União Africana.

A causa disto é que os mapas que até agora seguíamos nas escolas e no dia a dia seguem um modelo do século XVI, apresentado pelo geógrafo e cartógrafo, Gerardus Mercator, em 1569, na Flandres, hoje região da Bélgica. E este defeito do “sistema Mercator”, que estica as regiões mais junto aos polos quando comparados àqueles junto à linha do Equador, resulta numa representação errada das verdadeiras dimensões dos continentes. A Ásia e a Rússia surgem enormes, assim como a Gronelândia e o Canadá. E a África muito modesta, para as suas verdadeiras dimensões, como já vimos.

E agora, a União Africana, representando 55 países, resolveu juntar a sua voz àquelas que nos últimos tempos se vinham manifestando contra esta representação errónea do planeta. A campanha, que já está no terreno, vai no sentido de os países abandonarem os mapas com o sistema de Mercator e adoptarem os modelos criados recentemente e que não distorcem a realidade geográfica dos continentes. Apesar da forma dos continentes ser correcta, a sua proporção surge distorcida, como prova as 14 vezes em que África é maior do que a Gronelândia, mas que Mercator indica o contrário.

Nos últimos tempos, foram várias vozes a querer trazer esta questão para as agendas internacionais. Agora, organizações como Correct the Map (Corrijam o Mapa), lideradas por organizações como Africa no Filter e Speak up Africa, estão na liderança do processo da reforma do mapa de Mercator. 

A discussão reacendeu-se nos últimos anos e agora com o apoio de uma organização como a União Africana. O site da campanha deixa clara a sua visão deste problema, do ponto de vista dos países em desenvolvimento: “O mapa de Mercator não trata apenas de representar de forma incorrecta o tamanho do Sul Global – trata-se de poder e percepção. É preciso mudar isso.”

A solução, defendem, passa pela adopção do projecto Equal Earth, lançado há sete anos, que mantém as áreas proporcionais e correctas, sem distorção dos continentes. Quem se mostrou muito contente foi o criador deste projecto, o geógrafo americano,Tom Patterson, com o endosso da UA e os seus 55 Estados. 

Patterson dá razão aos países africanos considerando que a distorçáo e a diminuição de África “é uma crítica extremamente legítima”. A necessidade de representar os continentes com mais precisão, levou algumas escolas de Boston, nos Estados Unidos, a adoptar o modelo de mapas Gall-Peter. 

Mas este ainda ‘esticava’ os países, na sua representação geográfica. O projecto de Patterson foi concebido com professores da uma universidade australiana e um engenheiro de software esloveno, de uma empresa da Califórnia. Em Fevereiro do próximo ano, no encontro com líderes, na Etiópia, a União Africana deverá tomar a sua decisão oficial sobre a adopção do mapa Equal Earth. 

Joaquim Arena

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