As fortes chuvas que caíram na última quinta-feira, 13, provocaram danos severos no Município de Santa Cruz, considerado o município mais agrícola de Cabo Verde. Com oito ribeiras que sustentam a produção local, o concelho foi apontado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente, e pelo próprio presidente da câmara, como o município mais afetado do país em termos agrícolas.
Segundo Carlos Silva, Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, três das oito ribeiras Cumba, Cassunda e Ribeirão Almaço, sofreram danos quase totais, com perdas que rondam os 90% das parcelas agrícolas, onde as enxurradas arrastaram produtos agrícolas, destruíram motores de rega, sistemas de “gota a gota”, reservatórios e poços.
Perdas expressivas em agricultura, pecuária
O presidente descreve uma situação em Cabeça de Horta, onde estiveram com um agricultor que mostrou a sua plantação de papaia, que foi toda “por água abaixo”.
Esta seria a sua primeira colheita na plantação de papaeira. “Só para terem uma ideia dos danos, tivemos em vários poços de água de rega, cerca de doze motores ficaram totalmente submersos como foi o caso das zonas de Ribeirão Almaço e Jaracunda, onde as vias estão praticamente intransitáveis”, lamentou o autarca.
Para além dos prejuízos no setor primário, várias zonas rurais ficaram isoladas devido ao corte de acessos carroçáveis como Serrelho, Rebelo, Ribeirão Boi, Boaventura, Ribeirão Almaço e Matinho que também registaram perdas parciais de habitações, deixando famílias sem acesso seguro às suas comunidades.
“Vamos aproveitar o estado de calamidade para ver junto do Governo, a solução definitiva para essas comunidades agrícolas e também para as comunidades que vivem lá”, assegura Carlos Silva.
Drones para mapear estragos
O Ministério da Agricultura e Ambiente utilizou drones para mapear estragos e recolher imagens detalhadas das ribeiras atingidas, garantindo uma avaliação técnica rigorosa sobre a profundidade dos danos.
Ao longo de três dias consecutivos, o presidente da câmara realizou visitas a todas as zonas afetadas, acompanhado nos dois últimos dias pelo Ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva. Esta segunda-feira, juntou-se ao trabalho de campo o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva.
Infraestruturas danificadas e perdas materiais em várias localidades
Na Ribeira dos Picos, várias casas ficaram tomadas pela lama, lojas foram inundadas e um edifício sofreu destruição parcial, em Terra Branco, moradores perderam eletrodomésticos e mobiliário, após a água invadir as residências.
As fortes chuvas também provocaram cortes de estradas, derrocadas e queda de blocos rochosos, em diferentes pontos do município, dificultando a circulação e o acesso às zonas agrícolas.
Medidas imediatas e planos de recuperação
Carlos Silva anunciou que a Camara Municipal já tem uma equipa montada para desenhar um plano das ações mais urgentes, como manutenção de poços e sistemas de regas, reabertura de caminhos vicinais, levantamento dos prejuízos nas explorações agrícolas e apoio imediato às famílias afetadas.
Os camponeses podem ser socorridos com alguma ajuda do fundo municipal de inclusão financeira, mas o que se espera é a entrada em ação dos planos do governo com o fundo nacional da emergência. As ligações a outros municípios a partir de Santa Cruz já estão reestabelecidas.
O município poderá ainda recorrer ao Fundo Municipal de Inclusão Financeira, enquanto se aguarda a entrada em ação dos planos com Fundo Nacional de Emergência, por parte do Governo.