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Política

Ano Novo: Mensagem do PR devia abordar situação social do país de forma “mais clara e corajosa”, defende UCID

O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) defendeu que a mensagem de Ano Novo do Presidente da República devia fazer uma “abordagem mais clara e corajosa” sobre a situação social dos cabo-verdianos. João Santos Luís justificou que “a democracia não rima com pobreza extrema, nem com desigualdades sociais persistentes”.

Segundo o líder da UCID, citado pela INFORPRESS, o Presidente da República afirmou que Cabo Verde encerra um ciclo histórico de meio século de liberdade, democracia e estabilidade, facto que João Santos Luís considerou inegável”, tendo em conta que “o país construiu uma democracia respeitada e um Estado de direito funcional.

“Democracia não rima com pobreza extrema”

No entanto, aquele líder partidário observou que “a democracia não rima com pobreza extrema, nem com desigualdades sociais persistentes”, lembrando que “mais de 100 mil cidadãos cabo-verdianos vivem em situação de pobreza absoluta, muitos jovens continuam sem perspectivas e muitas famílias lutam diariamente para garantir o básico”.

“Celebrar a democracia é importante, mas é igualmente essencial reconhecer que há cidadãos que ainda não sentem os seus benefícios no dia-a-dia. Combater a pobreza e as desigualdades sociais deveria ocupar um lugar central no discurso nacional e na acção política”, afirmou.

Para João Santos Luís, o país poderia estar numa situação melhor se, ao longo do tempo, as prioridades tivessem sido mais bem definidas e se o combate às desigualdades sociais tivesse sido mais sério, mais estruturado e mais consequente.

“Intensa circulação” do PR pelas ilhas

O presidente da UCID manifestou ainda preocupação com “a intensa circulação” do Presidente da República, de ilha em ilha, no ano de 2025.

Conforme explicou João Santos Luís, essas viagens, muitas vezes, têm características que “levantam dúvidas legítimas sobre a separação entre o exercício das funções presidenciais e a preparação de uma eventual campanha de reeleição, com recurso ao erário público”.

Pelo que considerou que a defesa da democracia passa também pelo respeito escrupuloso pelas instituições e pelo uso responsável dos recursos do Estado.

Amadeu Oliveira devia beneficiar do indulto do PR

O líder da UCID lembrou igualmente que o PR, ao fazer uso das suas competências no que diz respeito ao indulto em 2025, “esqueceu-se do preso político Amadeu Oliveira”, que se encontra na Cadeia Central de São Vicente há quase cinco anos.

“O PR sabe perfeitamente as condições em que Amadeu Oliveira está preso e, ainda em 2025, não levantou uma palha para que esta situação se revertesse”, criticou.

Para João Santos Luís, Amadeu Oliveira “só está preso porque criticou duramente o sistema judicial em Cabo Verde” e que, no país, “nunca nenhum cidadão cometeu crime contra o Estado de direito democrático”.

C/INFORPRESS

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