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Presidente interina da Venezuela oferece cooperação aos EUA após Trump afirmar que novos ataques são possíveis

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu, no domingo, 04, colaboração com os Estados Unidos da América em uma agenda focada no “desenvolvimento compartilhado”, adotando um tom conciliatório pela primeira vez desde que as forças americanas capturaram o presidente do país rico em petróleo, Nicolás Maduro. Recorde-se que o Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje, 05, de emergência para discutir a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela que levou à deposição e captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que está detido em Nova Iorque.

Em um comunicado publicado nas redes sociais e citado pela Reuters, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que seu governo está priorizando uma mudança rumo a relações respeitosas com os Estados Unidos, após ter criticado anteriormente a operação de sábado, 03, como uma apropriação ilegal dos recursos nacionais do país.

“Convidamos o governo dos EUA a colaborar connosco em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado dentro da estrutura do direito internacional, a fim de fortalecer a convivência comunitária duradoura”, disse Rodríguez.

“O presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra.” Rodríguez, que também atua como ministra do petróleo, é considerada há muito tempo a integrante mais pragmática do círculo íntimo de Maduro, e Trump havia dito que ela estava disposta a trabalhar com os EUA.

Publicamente, no entanto, ela e outros funcionários chamaram as detenções de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, de sequestro e afirmaram que Maduro continua sendo o líder legítimo da nação.

Trump ameaça novo ataque à Venezuela

Trump disse a repórteres no domingo que poderia ordenar outro ataque se a Venezuela não cooperar com os esforços dos EUA para abrir sua indústria petrolífera e impedir o tráfico de drogas.

Trump também ameaçou com ação militar na Colômbia e no México e disse que o regime comunista de Cuba “parece estar prestes a cair” por conta própria. As embaixadas da Colômbia e do México em Washington não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Maduro comparecerá ao Tribunal dos EUA hoje

A declaração de Rodríguez ocorreu na véspera do comparecimento de Maduro, agendado para as 12h locais (16h em Cabo Verde) de hoje segunda-feira, perante um juiz federal em Nova York.

Autoridades do governo Trump descreveram a prisão de Maduro como uma ação policial para responsabilizá-lo por acusações criminais apresentadas em 2020, que o acusam de conspiração para narcoterrorismo.

Mas Trump também afirmou que outros fatores estavam em jogo, dizendo que a operação foi motivada, em parte, por um fluxo de imigrantes venezuelanos para os Estados Unidos e pela decisão do país de nacionalizar os interesses petrolíferos dos EUA décadas atrás.

“Estamos recuperando o que eles roubaram”, disse Trump a bordo do Air Force One, ao retornar a Washington no domingo, vindo da Flórida. “Nós estamos no comando” disse ainda.

As empresas petrolíferas retornarão à Venezuela e reconstruirão a indústria petrolífera do país, disse Trump. “Elas vão gastar bilhões de dólares e vão extrair o petróleo do solo”, afirmou.

Operação atrai críticas e questionamentos sobre a legalidade da captura

Os Estados Unidos consideram Maduro um ditador ilegítimo desde que ele declarou vitória em uma eleição de 2018 marcada por alegações de irregularidades em massa. Mas Trump rejeitou a ideia de a líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, assumir o poder, alegando que ela não tem apoio.

Machado foi impedida de concorrer às eleições de 2024, mas afirmou que seu aliado, Edmundo González, tem mandato para assumir a presidência, e alguns observadores internacionais dizem que ele venceu a votação de forma esmagadora.

Embora Maduro tenha poucos aliados no cenário mundial, muitos países questionaram a legalidade da prisão de um chefe de Estado estrangeiro e pediram aos EUA que respeitem o direito internacional.

Secretário-geral da ONU alerta para precedente perigoso 

O Conselho de Segurança da ONU planeia se reunir esta segunda-feira para discutir o ataque dos EUA, que o secretário-geral António Guterres descreveu como um precedente perigoso.

A China reiterou suas críticas às ações dos EUA, afirmando que elas violam o direito internacional e que Washington deveria libertar Maduro e sua esposa.

O ataque também levantou questionamentos em Washington, onde democratas da oposição dizem ter sido enganados pelo governo sobre sua política para a Venezuela.

O secretário de Estado, Marco Rubio, deveria se reunir com os principais legisladores no Capitólio ainda na segunda-feira. Outrora uma das nações mais prósperas da América Latina, a economia da Venezuela entrou em colapso nos últimos 20 anos, levando cerca de um em cada cinco venezuelanos a emigrar, num dos maiores êxodos do mundo.

A destituição de Maduro, um ex-motorista de ônibus que governou a Venezuela por mais de 12 anos após a morte do ditador Hugo Chávez, pode levar a uma desestabilização ainda maior no país de 28 milhões de habitantes.

C/ Reuters

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