Em reação à notícia publicada pelo A Nação Online aqui, que dá conta da indignação de um grupo de agricultores da Ribeira de Flamengos, em São Miguel, Santiago, do alegado “descaso contínuo” na manutenção da Barragem de Flamengos, o Governo, através da empresa pública Água de Rega (AdR, SA) veio esclarecer que a barragem e os seus equipamentos não se encontram avariados e têm sido objeto de manutenção regular e acompanhamento técnico contínuo, “não se verificando qualquer desrespeito pelos agricultores”. Ademais, garantiu a normalização do fornecimento de água até amanhã, sexta-feira, 09, após trabalhos de desobstrução da tomada principal de distribuição de água.
Conforme explicou a empresa Água de Rega, Sociedade Anónima Unipessoal (AdR, S.A.), a entidade pública responsável pela gestão e construção dos sistemas de água para rega, encarregue da gestão da água destinada à agricultura, as chuvas intensas ocorridas nos dias 13 e 14 de novembro de 2025 em Santiago Norte provocaram a acumulação de lamas e sedimentos, originando a obstrução da tomada principal de distribuição de água para rega.
Isto originou uma situação de “constrangimento temporário” na distribuição de água para rega.
Não se registam perdas de culturas
No entanto, e apesar de reconhecer constrangimento temporário na distribuição de água para rega, a AdR diz que “não se registam perdas de culturas”, já que os solos se encontram “húmidos, as ribeiras mantêm escoamento, a barragem está a transbordar e os campos irrigados apresentam boas condições vegetativas”.
A informação avançada pela empresa contradiz as denúncias dos agricultores, que afirmavam que a situação representa não apenas um problema técnico, mas também uma ameaça à segurança alimentar local e ao desenvolvimento agrícola da região.
O grupo de agricultores também acusou os técnicos da empresa de falta de interesse, ausência de acompanhamento técnico eficaz e desrespeito pelos produtores, acusação também refutada pela AdR que assegura que tem feito a manutenção regular e acompanhamento técnico contínuo da barragem, “não se verificando qualquer desrespeito pelos agricultores”.
Reposição da normalidade do sistema
Ainda, avança a empresa, após a comunicação da situação por parte dos agricultores, uma equipa técnica da AdR deslocou-se “de imediato ao local”, confirmado a obstrução da tomada principal de distribuição de água e iniciado os trabalhos e intervenções necessárias, incluindo a manutenção das comportas, operações de bombagem e outras ações técnicas com vista à reposição da normalidade do sistema.
A AdR sublinhou ainda que tem feito um “acompanhamento permanente da situação” e prevê a reposição da plena operacionalidade do sistema e a normalização do fornecimento de água para a atividade agrícola até esta sexta-feira, 09.
AdR reafirmou o seu compromisso com os agricultores
A empresa Água de Rega reafirmou o seu compromisso com os agricultores, assegurando uma gestão responsável, transparente e sustentável dos recursos hídricos e adiantou um conjunto de ações de apoio aos agricultores.
“A AdR, SA tem vindo a desenvolver um conjunto de ações de apoio aos agricultores, nomeadamente a manutenção da rede de adução e distribuição, dos hidrantes e das condutas, a ligação de agricultores à rede de rega, a atualização do calendário de rega e a promoção da rega gota-a-gota. Atualmente, cerca de 80.000 m² encontram-se irrigados com este sistema, com um investimento superior a 3.000.000 ECV em bonificações. Só em 2025, os investimentos em manutenção e assistência técnica em São Miguel ascenderam a cerca de 2.350.000 ECV”, recordou.
Roubo de água continua a ser um flagelo
A AdR alertou para a existência do problema de roubo de água e atos de vandalismo e avançou que para 2026 estão previstas medidas preventivas, nomeadamente o reforço da segurança e vedação da barragem, a implementação de um plano alternativo de fornecimento de água, o cadastro dos agricultores e a formalização de contratos de fornecimento de água para rega.



