Na sessão solene da Assembleia Nacional (Parlamento), comemorativa do Dia da Liberdade e Democracia (13 de Janeiro), o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) defendeu a importância de se fortalecer o equilíbrio de poderes em Cabo Verde. João Santos Luís, considera que um “parlamento dominado por uma maioria esmagadora pode estar de acordo com a lei, mas raramente é saudável”.
“Onde o poder é excessivo, o erro torna-se confortável, o debate empobrece-se e o cidadão afasta-se”, alertou o também presidente UCID, considerando que a “naturalidade democrática mede-se pela capacidade de distribuir o poder e não de o acumular”.
Para João Santos Luís, a próxima etapa da democracia cabo-verdiana “não é uma alternância pura e simples” entre dois blocos, mas sim o “equilíbrio do poder”.
“Um parlamento com oposição reforçada não bloqueia o país. Pelo contrário, obriga ao diálogo, melhora a qualidade das leis, reforça a fiscalização e devolve a centralidade da governação ao cidadão”, argumentou.
Dificuldades persistentes
No que diz respeito aos desafios do país, João Santos Luís lamentou que, apesar dos avanços registados, os cabo-verdianos ainda enfrentam dificuldades persistentes no acesso ao emprego digno, à saúde, à educação de qualidade, à segurança e a uma vida com dignidade.
Ainda hoje, citou, mais de 100 mil cidadãos cabo-verdianos vivem em situação de pobreza absoluta, uma realidade que, conforme referiu, deve interpelar a todos.



