Depois de há poucos dias os Estados Unidos terem incluído Cabo Verde na lista de países em que os seus cidadãos têm de pagar uma caução para terem acesso a vistos de negócios ou turismo, que pode ir até 15 mil dólares, agora foram suspensos os vistos para emigração, até data indeterminada. Na prática, quem tinha o sonho ou objectivo de emigrar para os Estados Unidos, agora, está impedido de o fazer. A inclusão de Cabo Verde nesta nova lista de proibição de vistos vai de encontro ao facto de o país ocupar a 6.ª posição no ranking de apoio social concedido pelo Governo daquele país para imigrantes nos EUA.
A partir do dia 21 de Janeiro não é mais possível emigrar para os EUA, pelo menos até ordem em contrário. A administracção de Trump continua com medidas para conter a emigração e agora vai suspender os vistos de entrada a 75 países por tempo indeterminado, incluindo Cabo Verde.
A informação avançada pela imprensa internacional, que cita fonte oficial, dá conta que o objectivo passa por controlar a entrada de cidadãos que se possam tornar num “encargo público”.
Conforme a SIC notícias, que cita a FOX News, o documento dá orientações aos funcionários dos Consulados para recusarem vistos de países como o Brasil, Cabo Verde, Colômbia e Rússia.
“O Departamento de Estado vai utilizar a sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis os potenciais imigrantes que se tornariam um encargo público para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, afirmou o porta-voz do departamento, Tommy Pigott, num comunicado divulgado esta quarta-feira, e que ainda não foi tornado público, citado pela mesma fonte.
Aperta-se o cerco à emigração cabo-verdiana
Recorde-se que esta não foi a primeira medida dos Estados Unidos em relação a Cabo Verde (e outros países) para conter a emigração. Conforme noticiamos anteriormente, a partir do dia 21 de Janeiro, os portadores de passaporte cabo-verdiano que pedirem visto, para viajar em negócios ou turismo para os Estados Unidos da América (EUA), estarão sujeitos a ter de pagar uma caução de até 1500 dólares (mil e quinhentos contos) para o efeito.
É que Cabo Verde passou a integrar a lista de 38 países que estão sujeitos a este tipo de restrição. A medida, que visa combater a emigração ilegal, deita por terra o sonho de muitos cabo-verdianos que já faziam contas à vida para irem ver os Tubarões Azuis jogar no Mundial de Futebol de 2026.
Depois de ter visto ser retido o financiamento de mais um compacto do Millennium Challenge Corporation (MCC) para apoiar o desenvolvimento regional de Cabo Verde, em Dezembro passado, Cabo Verde é agora confrontando com mais uma medida restritiva do governo de Donald Trump. A partir do próximo dia 21 deste mês, qualquer detentor de passaporte cabo-verdiano passa a estar sujeito a ter de pagar uma caução de até 1500 dólares para obter visto para os EUA, seja em negócios ou turismo.
A informação avançada na noite de terça-feira, 6, pela Embaixada dos EUA dá conta que este arquipélago passou a integrar a lista de 38 países que estão sujeitos a este tipo de restrição para que os seus cidadãos possam pedir vistos para viajar para os EUA em negócios ou turismo.
De realçar que entre os países sujeitos a esta restrição apertada, a maioria são africanos. Entre eles Angola, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Guiné, República Centro Africana, Senegal, São Tomé e Príncipe, Nigéria, Namíbia, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia e Zimbabué, entre outros. Fora deste continente, na mesma lista estão, por exemplo, Cuba e Venezuela.
Requisitos e condições
Indo directamente aos requisitos exigidos e como vai funcionar o novo sistema de obtenção de vistos para os EUA sujeitos a caução, a partir do momento em que sejam considerados elegíveis para a obtenção de um visto de negócios ou turismo, também designados de B1 e B2, respectivamente, o portador de passaporte cabo-verdiano terá de pagar obrigatoriamente uma caução que pode variar entre 5000 mil a 1500 dólares. Porém, o requerente será reembolsado se cumprir todas as condições do visto e sair dos EUA antes do termo do período de permanência autorizado, ou seja, se regressar a Cabo Verde.
Esta restrição de caução obrigatória para emissão de visto de negócios ou turismo para os EUA entra em vigor a partir do dia 21 de Janeiro deste ano, o que significa que todos os vistos obtidos até à data continuam a ser válidos.
Travar emigração ilegal
Na prática esta é mais uma medida da administração Trump para travar a emigração ilegal e impedir que as pessoas usem vistos de negócios ou turismo para chegar aos EUA e depois aí permanecerem para procurar trabalho e tentar uma vida melhor, como sabemos que acontece com muitos cabo-verdianos.
Naturalmente, quanto maior for o risco imigratório ilegal detectado durante a entrevista para a obtenção de visto de turismo ou negócio, maior será a probabilidade de a caução solicitada atingir o tecto máximo de 1500 dólares.
As autoridades norte-americanas chamam inclusive a atenção para que os requerentes destes tipos de visto B1 e B2 não efectuem qualquer pagamento antecipado, devendo a caução ser paga apenas após instruções directas de um oficial consular, de forma a evitar burlas ou pagamentos indevidos. Até ao fecho desta edição não era conhecida nenhuma reacção das autoridades cabo-verdianas relativamente a esta restrição para os cidadãos cabo-verdianos.
Cabo Verde ocupa a 6.ª posição no ranking de apoio social para imigrantes nos EUA
Cabo Verde ocupa a 6.ª posição no ranking de apoio social concedido pelo Governo daquele país para imigrantes nos EUA. A informação avançada pelo site Cabo Verde 24, que cita fonte oficial revelam que 63,1% das famílias da cabo-verdianas que aí residem recorrem a programas de assistência.
Segundo a mesma fonte, há 63,1% das famílias da nossa diáspora nos EUA a beneficiarem de pelo menos um programa de assistência pública (que inclui saúde, apoio alimentar ou habitação).
Cabo Verde situa-se num grupo de países com necessidades sociais elevadas, ao ocupar a sexta posição. Em primeiro lugar está o Butão (81,4%), seguido da Somália (71,9%) e a República Dominicana em terceiro, com 71,2%.
De acordo com a mesma fonte, estar no topo deste ranking não significa falta de esforço laboral. Pelo contrário, a comunidade cabo-verdiana é conhecida pela sua resiliência e há vários empresários de sucesso e gente muito activa nas comunidades. Recentemente tivemos o exemplo de Moisés Rodrigues, cidadão norte-americano natural dos Mosteiros, ilha do Fogo, que tomou posse esta segunda-feira,5, como o 51º mayor da cidade de Brockton. Contudo são conhecidos muitos desafios à comunidade cabo-verdiana nos EUA.
Neste ranking em questão, os especialistas atribuem três quesitos determinantes para esta elevada taxa de acesso a apoios sociais por parte das famílias cabo-verdianos que residem nos EUA como o custo de vida nas áreas de residência; os agregados familiares numerosos e as barreiras linguísticas e de formação.
Conforme análise da mesma fonte, este 6.º lugar no ranking de assistência social deve ser lido como um sinal de alerta e uma oportunidade. “Reflecte a necessidade de maior investimento na capacitação dos nossos emigrantes antes e depois da partida, garantindo que a rede de segurança americana seja apenas um trampolim para a plena independência financeira”.
Até porque a diáspora, como é sabido, continua a ser um pilar económico para o arquipélago, mas estes dados mostram que “o caminho para a prosperidade total ainda enfrenta desafios estruturais em solo americano”.
Na altura, em comunicado, o governo lamentou a situação e admitiu que esta medida a “poderá restringir a mobilidade entre os dois países”.
Contudo, afirmou que a mesma “resulta do comportamento dos cabo-verdianos que, na posse de um visto de turismo ou de negócios, acabam por não respeitar as leis americanas sobre a imigração, permanecendo nesse país para além do tempo permitido ou, mesmo, acabando por ficar, ilegalmente, nos Estados Unidos da América, caindo no que se designa de overstay”.



