O Presidente da República, José Maria Neves, afirmou que a homenagem aos heróis nacionais é um acto carregado de simbolismo que une várias gerações, desde os precursores do século XIX e XX, como Eugénio Tavares e Pedro Cardoso, até à geração da Claridade e de Amílcar Cabral, que “rompeu e superou todos os limites” para garantir a independência. Já o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou a figura de Amílcar Cabral um “grande simbolismo” para o país e para toda a história da nação que representa a independência nacional.
O chefe de Estado falava à imprensa após a tradicional cerimónia de deposição de uma coroa de flores no Memorial Amílcar Cabral, na capital, acto que assinala o Dia dos Heróis Nacionais e que contou com a presença de membros do Governo, deputados, corpo diplomático e combatentes da liberdade da pátria.
“Os primeiros filhos da terra foram os primeiros que se indignaram contra as injustiças”, sublinhou o Presidente, destacando que a luta actual deve focar-se na construção de um país próspero e com oportunidades para os mais novos.
Neste sentido, o mais alto magistrado da Nação apelou a uma maior atenção à juventude cabo-verdiana.
“Estes jovens têm uma outra linguagem, outra gramática. É preciso descodificar essa linguagem, entender essa juventude e envolvê-los na construção de um Cabo Verde moderno, próspero e com oportunidades”, defendeu José Maria Neves.
Questionado sobre a divisão à volta das datas, sobretudo o 13 e 20 de Janeiro, o Presidente da República assegurou que está a ser feita a “pedagogia política necessária” e anunciou que, já nesta quarta-feira, 21, terá lugar um debate sobre educação para a cidadania e participação jovem.
“É uma geração muito talentosa, veja-se no desporto, na música e na dança. É fundamental levá-la a participar fortemente no processo transformacional do país”, concluiu, reiterando que a juventude exige uma governação justa, transparente e com prestação de contas.
O 20 de Janeiro assinala o 53.º aniversário do assassinato de Amílcar Cabral, fundador do PAIGC e figura central da história africana, em especial a de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, que liderou a luta contra o colonialismo português.
Figura de Amílcar Cabral é um “grande simbolismo” para o país e toda a história da nação – PM
O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou a figura de Amílcar Cabral um “grande simbolismo” para o país e para toda a história da nação que representa a independência nacional.
“A independência está muito ligada à figura de Amílcar Cabral. Num país consensual, não significa que todos interpretem da mesma forma, mas há uma grande maioria que considera assim”, afirmou Ulisses Correia e Silva, quando questionado sobre o simbolismo da efeméride.
Para o chefe do Governo, a história é constituída por personagens, personalidades, momentos e acontecimentos, mas que a sua interpretação pode ser variada.
Ulisses Correia e Silva fez questão de distinguir o papel histórico de Cabral enquanto libertador do período que se seguiu à independência, notando que “tudo aquilo que foi do regime após a independência é algo que não foi, pelo menos, protagonizado por Amílcar Cabral”.
Nesta linha de pensamento, o primeiro-ministro apelou a uma compreensão profunda da história para que as gerações vindouras conheçam o percurso de resiliência e luta do arquipélago.
“É fundamental valorizar momentos importantes e manter sempre viva a história”, reforçou.
C/ Inforpress