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Saúde

Vírus Nipah: Cabo Verde vigilante, mas risco é baixo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “baixo” o risco de propagação regional e global do Vírus Nipah, com dois casos detetados na Índia. Ainda assim, Cabo Verde está vigilante.

A penas dois casos foram confirmados na Índia durante o mês de Janeiro deste ano, no estado de Bengala Ocidental, no leste do país.Ambos são profissionais de saúde que trabalham no mesmo hospital e que tiveram contacto com um doente com sintomas respiratórios, entretanto falecido antes de qualquer diagnóstico.

Os primeiros sintomas foram desenvolvidos na última semana de Dezembro de 2025. No início de Janeiro foram colocados em isolamento e todos os contactos foram testados para rastreamento de possíveis outros casos.

Maria da Luz Lima

“O protocolo de rastreamento de contatos monitorou e testou mais de 190 contatos que tiveram exposição direta aos casos. Todos os resultados foram negativos e os indivíduos permaneceram assintomáticos”, indicou a OMS, acrescentando que até final de janeiro o surto era considerado contido e sem registo de novos casos.

Dado a este quadro, a OMS avalia o risco em nível subnacional na região como moderado, dada a presença de reservatórios de morcegos frugívoros nas áreas de fronteira entre a Índia e Bangladesh. Entretanto, o risco nacional, regional e global permanece baixo. Não há, por agora, quaisquer restrições a viagens e comércio.

 O que é o Nipah?

 O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, nomeadamente dos morcegos. A infecção também pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas infectadas, através do contacto com fluidos corporais.

Foi relatado pela primeira vez em 1999, na Malásia e Cingapura, e desde então registou surtos em países asiáticos. A taxa de mortalidade em decorrência do vírus é elevada, avaliado entre 40%. 75%, podendo variar de acordo com o surto.

 No primeiro surto na Índia, ocorrido em 2018, 21 das 23 pessoas infectadas morreram. Seguiram-se dois outros surtos, em 2019 e 2021, nas quais duas pessoas foram a óbito.

Sintomas

Segundo informações da OMS, as infecções humanas pelo vírus Nipah vão desde infecção assintomática até infecção respiratória aguda — quando os pulmões se tornam incapazes de fornecer oxigênio suficiente ao corpo — e encefalite fatal, uma inflamação do cérebro.

 Os sintomas iniciais incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. A pessoa infectada ainda pode apresentar tontura, sonolência, alteração da consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Também há relatos de pacientes com pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo dificuldade respiratória aguda.

 Nos casos graves da doença, ocorrem encefalite e convulsões, podendo evoluir para coma em 24 a 48 horas.

 Embora a maior parte das pessoas que sobrevivem à encefalite aguda se recupere totalmente, cerca de 20% dos pacientes adquirem sequelas neurológicas residuais.

Sem tratamento específico

Ainda não existem medicamentos ou vacinas específicas para a infecção pelo vírus Nipah. Os doentes recebem tratamento de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.

Cabo Verde a acompanhar

Diante dos novos casos de Nipah, a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública, Maria da Luz Lima, garantiu que Cabo Verde está a acompanhar a situação e que o sistema de nacional de saúde está vigilante e preparado para responder a eventuais casos suspeitos.

Entretanto, em declarações à TCV, a mesma tranquilizou a população, tendo em conta as últimas atualizações da OMS.

Natalina Andrade

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