
Por: José Pereira Miranda
Senhores governantes, centrais e locais,
Excelências
Eis mais um tema que, na minha opinião, merece atenção redobrada. Não apenas para responder às legítimas preocupações dos cidadãos, mas sobretudo para promover um estudo aprofundado sobre o como, quando e, principalmente, porquê da regionalização administrativa do País.
Não sou contra a ideia. Assim como cada cidadão deve esforçar-se para garantir a sua sustentabilidade, também cada concelho deve empenhar-se em assegurar o seu desenvolvimento, em todas as áreas. Só assim se poderá garantir crescimento. Contudo, é necessário agir com prudência.
A administração, ou governação, de um país, na minha perspetiva, deve assemelhar-se à administração de um lar. Um casal responsável preocupa-se em criar nos filhos a capacidade de se sustentarem e viverem felizes, sem depender do favor de terceiros.
Cabo Verde possui dez ilhas, sendo apenas uma desabitada. Entre as nove habitadas, nem todas oferecem as condições suficientes ou têm, por enquanto, autonomia, seja em termos de economia, capital humano, meios de transporte ou redes de comunicação.
Na minha opinião, para que se projete uma regionalização justa, inclusiva e equilibrada, é necessário promover, previamente, um desenvolvimento harmonioso das ilhas, com industrialização, academias superiores, redes de comunicação e meios de transporte, de modo que nenhuma fique dependente da outra.
Por outro lado, o país deve ser sistematizado e dotado de leis que garantam, de forma justa, transferências periódicas do Orçamento do Estado correspondentes ao número de habitantes de cada ilha, para que estas transferências não dependam das empatias partidárias. Só depois de todas as ilhas terem assegurada a capacidade de se sustentar é que se deve avançar para a regionalização.
Não é aconselhável, nem justo, regionalizar o País de forma que uma ilha comande ou sustente outra. Assim como cada pessoa é única, com direitos e deveres, também cada ilha deve ser reconhecida como tal, com os seus próprios direitos e responsabilidades.
Repito: na minha opinião, os nossos governantes devem recordar que, sendo eleitos pela população, têm o dever de governar em favor da população e não em benefício de um grupo restrito de cidadãos com maior capacidade ou “força” para sustentar e vangloriar o desenvolvimento da sua ilha.
As ilhas são várias, mas o país é um só.
23/01/2026



