O naufrágio do navio de carga “Nhô Padre Benjamim” no largo da Preguiça, a três milhas náuticas de São Nicolau, em abril de 2025, deveu-se, entre outros factores, a problemas relacionados com o plano de carregamento inadequado da embarcação. O relatório das causas do naufrágio foi divulgado pelo Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos e Marítimos (IPIAAM), segundo o qual o acidente poderia ter sido evitado.
O Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos e Marítimos (IPIAAM) avançou que o acidente teria sido evitado se o processo de desembaraço do navio, seguindo o legalmente estipulado, fosse posto em prática quando o navio se preparava para largar do Porto da Palmeira na ilha do Sal.
Água na casa da máquina do leme
Conforme explica, a água entrou inicialmente pela rampa e chegou à casa da máquina do leme através das tampas de inspeção de sensores de piloto automático e indicador de leme, situadas no “Car Deck”, possivelmente abertas por descuido ou com vedação deficitária.
Por intermédio dos túneis de acesso, continua o IPIAM, o alagamento se alastrou até à casa da máquina, onde foi mais tarde detectado.
“Com o aumento do calado a ré, devido à acumulação de água no interior do navio, a água chegou até às sentinas do “Car Deck”, metros avante das tampas referidas, cujo acesso é diretamente para a casa das máquinas. Foi esse o momento que, nas audições, os tripulantes referem como “uma explosão de água”.
Dada à elevada quantidade de água, as bombas não tinham capacidade para dar vazão e a situação tornou-se ainda mais incontrolável”, lê-se ainda no comunicado.
Acidente poderia ser evitado se o navio tivesse voltasse ao porto de origem
Nas conclusões, o IPIAAM constata ainda que o acidente seria evitado, se aquando da deteção da entrada de água, com pouco mais de uma hora de viagem, o Comandante tivesse sido “imediatamente informado e tomasse a decisão de regressar ao Porto da Palmeira”.
O instituto aponta ainda que a gestão da situação a bordo “não esteve à altura da complexidade da emergência”, tanto a nível da comunicação interna, como da assunção de responsabilidades e tomada de decisão por parte de quem de direito.
No final do relatório da investigação, o IPIAAM deixa uma série de recomendações de segurança ao Instituto Marítimo Portuário, à Verde Lines e outras Companhias de Navegação e às tripulações.
Perfil do navio “Nhô Padre Benjamim”
A embarcação naufragou na tarde de segunda-feira, 14 de abril de 2025, ao largo da Preguiça, em São Nicolau, quando transportava brita e maquinaria pesada para as obras de remodelação do aeródromo da Preguiça e para a estrada que liga Juncalinho a Carriçal. O navio tinha saido do Porto da Palmeira, na ilha do Sal.
“Nhô Padre Benjamim” é um navio com cabotagem de 90 por 18 metros, com capacidade para 319 contentores, para além de um calado baixo para facilitar as operações de carga e descarga.
O navio, de fabrico alemão, foi adquirido em 2015 com 35 anos, pela empresa Lusolines, pertencente ao grupo Agrícola Ilha Verde, “em perfeitas condições de operacionalidade e de segurança, graças à manutenção constante e em dia, conforme frisaram os representantes da empresa dona do navio”.



