Com o aproximar da estação quente, trabalhadores atrás e arredores do Estádio da Várzea, cidade da Praia, voltam a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que, há vários anos, permanece sem solução. Segundo relatam, a situação agrava-se com a chegada do calor e das chuvas, intensificando o mau cheiro e os riscos para a saúde pública.
A pesar das más condições, a zona trazeira do Estádio da Várzea é diariamente frequentada por centenas de pessoas, passageiros que aguardam o autocarro na paragem ali existente, ou utentes que procuram hiaces com destino ao interior da ilha de Santiago e estudantes da Escola Secundária Cónego Jacinto.
Além disso, o espaço tornou-se um local de trabalho para muitas vendedeiras, condutores e lavadores de carro, o que torna a situação ainda mais preocupante. Quem passa o dia inteiro naquele ambiente está exposto a mosquitos e ao risco de contrair doenças associadas à água contaminada.
Dia a dia marcado pelo mau cheiro
Obrigados a conviver diariamente com água contaminada, a inalar odores intensos e a enfrentar o receio constante de adoecer, vários dos entrevistados desta reportagem afirmam já ter perdido a esperança de ver o problema resolvido.
Fernando Tavares, que há mais de 11 anos sustenta a família lavando carros naquele espaço, confessa que já quase se esqueceu de como é trabalhar num local digno. “É um caso fácil de resolver. Se realmente quiserem acabar com este esgoto, basta canalizar com um tubo. Há um botão para abrir e fechar”, sugeriu, mostrando-se descrente contudo quanto à vontade de as autoridades em solucionar o problema.
O lavador relata ainda que há dias em que se torna impossível trabalhar devido ao cheiro insuportável. Conta que já chegou a ficar mais de Com o aproximar da estação quente, trabalhadores atrás e arredores do Estádio da Várzea, cidade da Praia, voltam a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que, há vários anos, permanece sem solução. Segundo relatam, a situação agrava-se com a chegada do calor e das chuvas, intensificando o mau cheiro e os riscos para a saúde pública. duas semanas sem exercer a actividade, vítima de fortes dores de cabeça que associa ao odor proveniente do esgoto.
Danilo Cabral, condutor de hiace na rota Praia–Órgãos há cerca de cinco meses, partilha da mesma preocupação. Explica que, para os condutores, a situação é particularmente difícil, uma vez que precisam de aguardar várias horas até Cidade da Praia Trabalhadores da zona da Várzea voltam que o veículo encha para poderem seguir a viagem.
“Além do mau cheiro, enfrentamos constantes queixas dos passageiros. Alguns acabam por desistir da viagem por não suportarem o ambiente”, lamenta.
Também a vendedeira Antonina Semedo afirma já ter perdido clientes devido às condições do local. Segundo conta, muitos consumidores, ao aproximarem-se para comprar, deparam-se com o esgoto e questionam a higiene dos produtos.
Doenças e prejuízos
O esgoto a céu aberto representa um sério problema de saúde pública. Para além do odor desagradável, pode favorecer a propagação de doenças infecciosas e parasitárias, como cólera, hepatite A, leptospirose, esquistossomose, dengue e conjuntivite.
Os impactos vão além da saúde, há risco de contaminação de recursos hídricos, degradação ambiental, desvalorização da área urbana e diminuição da qualidade de vida da população.
Uma reivindicação antiga
A queixa não é recente. Há vários anos que os trabalhadores da nos arredores do Estádio da Várzea pedem melhores condições para exercerem as suas actividades.
Em 2025, condutores de hiaces do terminal da Várzea denunciaram à Inforpress as más condições do local, sobretudo ao nível do saneamento, solicitando melhorias e a instalação de uma casa de banho. Até ao momento, segundo afirmam, apenas o problema de casa de banho foi resolvido. No entanto, ainda não podem usufruí-la, uma vez que falta garantir o abastecimento de água ao autotanque.
Esclarecimentos da AdS
Em Janeiro de 2023, também este jornal publicou a reportagem “Praia e o seu problema crónico de esgotos”, abordando vários casos na Cidade da Praia, inclusive o da Várzea. Na altura, a empresa Águas de Santiago (AdS) esclareceu que a situação se devia a avarias repentinas nos camiões de limpeza de fossas. Desta feita o nosso Jornal entrou novamente em contacto com essa empresa para saber o que se passa, mas até o fecho desta edição não obtivemos retorno.
Cleidiane Tavares (estagiária)
Publicado na Edição 967 do Jornal A Nação, de 12 de Março de 2026



