O funeral do jornalista Alfredo Simão Carvalho Santos, um dos pioneiros do jornalismo pós-independência de Cabo Verde, realiza-se este Sábado, 21, às quatro horas da tarde, no cemitério da Várzea, cidade da Praia. Carvalho Santos, que foi director do jornal Voz di Povo, um dos mais importantes órgãos de comunicação social do país, faleceu Sexta-feira, 20 de Março, aos 72 anos vítima de doença.
Antes do funeral, o corpo do malogrado é velado no salão da Igreja do Nazareno, no Platô, de onde sai para a cerimónia religiosa no Centro Paroquial de Nossa Senhora da Graça (Praia).
O jornalista Carvalho Santos, tido como uma referência para o jornalismo cabo-verdiano, e pioneiro da imprensa moderna em Cabo Verde, integrou a chamada primeira geração de jornalistas do pós-independência e chegou a ser, durante vários anos, Director do histórico jornal Voz di Povo, um dos mais importantes órgãos de comunicação social do país nessa fase.
Trabalhou ao lado de outros nomes relevantes da imprensa cabo-verdiana como Arnaldo Andrade, Daniel dos Santos, Aristides Lima, José Filomeno Monteiro, Aldegundes Tolentino e Franklin Palma.
Em meados de 2000, Carvalho Santos passou a integrar o Conselho de Administração da Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS), na qualidade de administrador.
Entre outras funções que exerceu, destaca-se igualmente a de presidente da AJOC (Associação dos Jornalistas de Cabo Verde).
Em reconhecimento ao seu trabalho e dedicação ao jornalismo, o Governo de Cabo Vede condecorou-o em 2015, por ocasião do 40.º Aniversário da Independência de Cabo Verde, com o Primeiro Grau da Medalha de Mérito Profissional.
Carvalho Santos também foi um dos primeiros e mais importantes colaboradores do Grupo Alfa Comunicações, particularmente do jornal A Nação.
Figura incontornável do jornalismo cabo-verdiano
Em nota der pesar, a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) considera que Carvalho Santos foi uma “figura incontornável do jornalismo cabo-verdiano e um dos pioneiros da imprensa escrita no país e um dos profissionais que ajudaram a moldar o seu percurso e identidade.
“Destacou-se pelo rigor, pela exigência e pelo culto da boa escrita, qualidades que marcaram gerações de jornalistas. Durante largos anos dirigiu o então maior jornal do país, o Voz di Povo, até aos anos 90, espaço onde conviveu e ombreou com nomes maiores da nossa literatura e contribuiu para afirmar a imprensa como espaço de pensamento, debate e criação”, refere a nota de pesar da AJOC.
“A AJOC rende homenagem a um dos que abriram caminho para o jornalismo que hoje se faz no país. Como toda a obra humana, o seu percurso teve imperfeições, mas deixa um legado incontornável para todos quantos continuam no jornalismo ativo, um legado que nos desafia a honrá-lo com mais dedicação, rigor e permanente exigência de melhorias para a classe”, acrescenta a AJOC.
A AJOC também destaca o papel de Carvalho Santos na formação de jovens jornalistas.“Foi, igualmente, um formador atento e exigente, tendo contribuído para a preparação de uma nova geração de profissionais da comunicação social, transmitindo valores de responsabilidade, dedicação e compromisso com o interesse público”, recorda a AJOC, reiterando que Carvalho Santos foi um “homem de convicções firmes, lutou, como pôde e da melhor forma que soube, pela liberdade de expressão e pela afirmação de uma imprensa livre e independente em Cabo Verde”.
Governo destaca “papel determinante na afirmação da imprensa livre em Cabo Verde”
O Governo, através do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Lourenço Lopes, manifestou a sua “profunda tristeza” pelo falecimento do jornalista Alfredo Carvalho Santos, enaltecendo o seu legado na imprensa cabo-verdiana, nomeadamente através das funções que exerceu no “histórico jornal Voz di Povo, pela liderança da Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS), enquanto administrador, e pela presidência da AJOC (Associação dos Jornalistas de Cabo Verde), instituições onde deixou uma marca relevante”.
O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Lourenço Lopes, também que Cabo Verde é hoje uma referência em matéria de liberdade de imprensa, tanto em África como no mundo, graças ao contributo de profissionais como Carvalho dos Santos.
“Referência para o jornalismo cabo-verdiano”
Reagindo a esta perda, Simão Rodrigues, chefe de redacção da INFORPRESS, onde Carvalho Santos foi administrador e jornalista, disse ter recebido a notícia com “profunda tristeza”.
“Foi com ele que iniciei as minhas pisadas no mundo do jornalismo no extinto jornal Voz di Povo e, posteriormente, na INFORPRESS”, afirmou Simão Rodrigues, para quem Carvalho Santos foi e continua a ser uma “referência para o jornalismo cabo-verdiano”.
Simão Rodrigues, reconhece em Carvalho Santos o colega que bem cedo acreditou nele e lhe abriu as portas e a paixão pela profissão que abraça há mais de três décadas.
Paciência e proverbial calma e sabedoria
Para Arnaldo Andrade, ex-governante e deputado nacional e antigo colega do malogrado, Carvalho Santos, é mais um dos cabouqueiros da comunicação social cabo-verdiana que se vai.
“Presto minha homenagem ao amigo, colega com quem tive oportunidade de trabalhar na mesma redacção, ultrapassando tudo quanto era obstáculo, ou seja, quase tudo, para fazer chegar a informação de Cabo Verde e do mundo às pessoas nas ilhas e nas casas”, afirmou Arnaldo Andrade, acrescentando que, inicialmente, foi jornalismo da causa da libertação nacional e da construção de um Estado considerado tarefa impossível.
Na época, frisou Andrade, todos os sacrifícios pessoais eram necessários.
“E fazíamos com gosto. Era o espírito da época, e Carvalho Santos com a sua paciência e proverbial calma e sabedoria, transformava a fragilidade física em resiliência em todas as situações”, esta é a imagem dele que guardo para sempre.



