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Santiago

Pressão dos moradores do Fundo Safende surte efeito

Depois de os moradores do Fundo Safende terem ameaçado boicotar as próximas eleições, em protesto contra a paralisação das obras na comunidade, os trabalhos foram finalmente retomados. Entretanto, não no ritmo esperado pelos munícipes, o que leva alguns a desconfiarem das reais intenções das autoridades municipais.

A retoma das obras para a conclusão da estrada há muito interrompida, conforme o reportado pelo A NAÇÃO há duas semanas, surge numa altura em que o sentimento de frustração era cada vez mais evidente entre os moradores do Fundo Safende. Iniciada em 2019, a estrada permaneceu inacabada, dificultando a circulação de pessoas e veículos e alimentando a sensação de abandono por parte das autoridades. 

Revolta da comunidade  

Na reportagem anterior, vários moradores daquele bairro da Praia manifestaram-se indignados com a situação e alguns chegaram mesmo a afirmar que poderiam não ir às urnas, como forma de protesto contra o que consideravam ser falta de atenção às necessidades da comunidade.

Entretanto, poucos dias após a publicitação do caso, os trabalhos voltaram à zona. Uma máquina foi novamente vista no Fundo Safende e os trabalhadores retomaram as obras.

No entanto, nem todos encaram esta retoma com o mesmo entusiasmo. Manuela Lopes afirma que o reinício das obras lhe traz mais preocupação do que esperança, considerando tratar-se apenas de mais uma “estratégia” para iludir os safendeses.

A mesma cidadã acredita que os trabalhos poderão voltar a ser abandonados, agravando ainda mais a situação. “A estrada já estava em más condições e, agora que voltaram para cavar novamente e depois abandonar, só vai prejudicar-nos ainda mais”, declarou.

Na mesma linha, Victor Mendes confessa que, enquanto não forem apresentados um orçamento claro e um plano detalhado para a obra, não acredita nesta retoma. Como constata, duas semanas após o anúncio do reinício dos trabalhos, pouco foi feito no terreno. 

“Abriram um buraco, despejaram pedras na estrada e limparam apenas uma parte do troço”, afirmou, acrescentando que a máquina tem estado mais tempo parada do que em funcionamento, o que reforça a sua desconfiança.

Obra essencial

Independentemente de tudo, alguns residentes da zona consideram que a retoma das obras demonstra que a mobilização da comunidade e a divulgação do problema que há muito os vinha afectando tiveram impacto. Ainda assim, sublinham que o mais importante é garantir que os trabalhos avancem até à conclusão.

Para a comunidade do Fundo Safende, esta obra é vista como essencial, não só para melhorar a mobilidade, mas também para reforçar o sentimento de dignidade e inclusão. 

Publicação nas redes sociais levanta novas questões

Numa publicação na sua página oficial nas redes sociais, no dia 5 de Março, a Câmara Municipal da Praia anunciou a retoma das obras no bairro de Safende. De acordo com o comunicado, os trabalhos tiveram início naquela semana, com a limpeza do terreno e o desassoreamento da vala existente no local.

Na sequência desta publicação, a associação Safende Di Nós – Bairro Amado manifestou preocupação e pediu maior esclarecimento das autoridades, sublinhando que o histórico da obra tem sido marcado por sucessivas interrupções ao longo dos anos. Entre as principais dúvidas levantadas estão as razões da paralisação prolongada, o financiamento do projecto, a existência de concurso público ou empresa adjudicada, bem como o prazo real para a conclusão da obra.

“A população merece transparência e datas concretas, não apenas anúncios”, refere a publicação, reflectindo o sentimento de desconfiança ainda presente entre os moradores.

A obra, iniciada em 2019 com o objectivo de melhorar o escoamento das águas e as condições de acesso no bairro, acabou por ser interrompida, deixando a população a utilizar uma via alternativa com condições consideradas precárias.

Enquanto os trabalhos decorrem, os moradores mantêm-se atentos. Esperam que desta vez a obra seja concluída e que a estrada deixe de ser um símbolo de promessas adiadas para passar a representar uma resposta concreta às necessidades da comunidade.

Uma vez mais, A NAÇÃO procurou ouvir as autoridades responsáveis, nomeadamente a Câmara Municipal da Praia, para esclarecer as razões da retoma das obras e conhecer o prazo previsto para a sua conclusão. No entanto, até ao fecho desta edição, não foi possível obter uma resposta. 

 

Cleidiane Tavares (estagiária)

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