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Cultura

Centro Cultural do Mindelo renasce para São Vicente

O principal espaço cultural de São Vicente, o Centro Cultural do Mindelo, deve voltar a pulsar dentro em breve. Após meses de silêncio forçado pela tempestade de 11 de Agosto, que danificou gravemente a infraestrutura, o CCM concluiu as obras de reabilitação e prepara-se para reabrir as suas portas.

Fundado na década de 1980 com a missão de ser um espaço cultural polivalente, e há muito a precisar de obras, o CCM sempre foi palco de música, dança, teatro, literatura, exposições plásticas e debates públicos. “O Centro é a nossa casa comum, onde todas as artes se encontram e dialogam”, recorda num comunicado, o bailarino António Tavares, actual director da instituição, que vê na reabertura uma oportunidade de devolver ao público a energia criativa que caracteriza Mindelo.

As obras iniciadas em Fevereiro contemplaram a substituição integral da cobertura, intervenções no auditório, teto, paredes e fachada, além de pintura geral. O investimento, avaliado em sete mil contos e financiado pela PROCULTURA, incluiu modernos sistemas de som e iluminação. O resultado é um espaço mais seguro, funcional e confortável, pronto para acolher artistas, técnicos e público com qualidade reforçada.

“Depois das chuvas, parecia que tínhamos perdido um pedaço da nossa alma. Agora, com o Centro renovado, voltamos a acreditar”, afirma um jovem artista.

A polivalência do CCM é um dos seus maiores trunfos. Desde a sua fundação, o espaço foi pensado para acolher diferentes linguagens artísticas, funcionando como laboratório de experimentação e vitrine de talentos. Ali nasceram festivais, estrearam peças de teatro, realizaram-se exposições que projectaram artistas locais para o mundo. A sua reabertura devolve a São Vicente essa capacidade de ser epicentro cultural, onde tradição e modernidade se cruzam.

António Tavares, conhecido pela sua carreira na dança contemporânea, tem planos ambiciosos para esta nova fase do CCM. Quer dinamizar o calendário de eventos, apostar em residências artísticas e reforçar a ligação com escolas e comunidades. “O Centro Cultural do Mindelo não é apenas um palco. É um espaço de formação, de encontro e de cidadania. Queremos que cada sanvicentino se reconheça aqui”, sublinha.

A intervenção no CCM insere-se numa estratégia mais ampla do Governo de Cabo Verde para valorizar infraestruturas culturais. O ministro Augusto Veiga tem repetido que “a cultura é motor de desenvolvimento”, e São Vicente, com a sua tradição artística, é prova viva dessa afirmação.

As chuvas de Agosto deixaram marcas profundas na cidade, mas também despertaram uma consciência colectiva sobre a necessidade de proteger e revitalizar os espaços culturais. A reabertura do CCM é, portanto, um gesto de esperança. “É como se tivéssemos recuperado um farol”, descreve uma atriz local. “O Centro ilumina os nossos caminhos e dá-nos força para continuar.”

A actriz Zenaida Alfama, membro da Direcção da Associação Mindelact, reforça essa visão: “Vejo isso como uma boa notícia. Ter o CCM de volta é uma almofada de ar fresco para os artistas. É de extrema importância tendo em conta o défice de salas para artes cénicas em São Vicente.” A sua afirmação traduz a urgência e a relevância desta reabilitação para a comunidade artística.

Com a nova cobertura, auditório renovado e equipamentos modernos, o Centro Cultural do Mindelo prepara-se para inaugurar uma programação diversificada. Concertos, peças de teatro, exposições e debates deverão marcar o regresso da vida cultural intensa que caracteriza a ilha. Mais do que eventos, serão momentos de celebração da criatividade e da resiliência de um povo que nunca deixou de acreditar na força da cultura. 

João A. do Rosário

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