Costuma-se dizer que a justiça tarda, mas ela acaba sempre por chegar. Mais de seis décadas depois do assassínio de Patrice Lumumba, o primeiro primeiro-ministro do Congo, um diplomata belga será julgado por crimes relacionados com este homicídio. Após ter sido raptado por revoltosos golpistas, apoiados pelo governo belga e pelos americanos, Lumumba foi preso e morto por estes rebeldes em Janeiro de 1961 em condições que ainda hoje constituem uma ofensa à luta dos africanos pela sua dignidade. Após a sua morte por fuzilamento, depois de achincalhado pelos seus algozes, o seu corpo foi dissolvido em ácido.
Aos 35 anos, Patrice Lumumba tornou-se o primeiro líder do Congo recentemente independente, depois de anos como opositor do regime colonial belga, bem como de todas as colónias em África. O envolvimento dos EUA na sua morte, através da CIA, ficou provado por vários historiadores e testemunhos directos. Em 2007, Larry Devlin, o chefe da secção da CIA no Congo, afirmou à agência Reuters de que teria recebido ordens de Washington para organizar o assassínio de Lumumba, mas que não cumpriu estas ordens.
Mas já em 2002, uma investigação levada a cabo pelo parlamento belga concluiu que este país era “moralmente responsável” pela morte do dirigente congolês, por todo o apoio dado ao grupo de rebeldes “amigos da Bélgica”, que o executou. Nesse mesmo ano, a Bélgica devolveu ao Congo um dente de ouro que pertenceu a Lumumba e que esteve na posse de um comissário de polícia belga. A única coisa que havia sobrado do corpo de Lumumba. Etienne Davignon, de 93 anos, um antigo comissário da União Europeia, na época do crime um jovem diplomata belga, é o primeiro responsável pela morte a ser julgado. Os restantes suspeitos já morreram.
Joaquim Arena



