
Por: Prof. Doutor Júlio C de Carvalho*
Desde a sua fundação, a União Caboverdeana Independente e Democrática tem assumido, com coragem e coerência, um princípio raro na vida política cabo-verdiana: nunca exigir militância prévia como condição para o exercício de funções de responsabilidade. Num cenário muitas vezes marcado por barreiras partidárias e interesses restritos, a UCID escolheu um caminho diferente: o da inclusão verdadeira.
Para a UCID, o critério essencial sempre foi, e continua a ser, um só: a cabo-verdianidade. Ou seja, o compromisso genuíno com Cabo Verde, com o seu povo, com a sua história e com o seu futuro. Esta visão rompe com práticas exclusivas e abre espaço a todos aqueles que têm capacidade, vontade e sentido de missão para servir a nação.
Hoje, mais do que nunca, Cabo Verde enfrenta o desafio de preservar o equilíbrio democrático. As maiorias absolutas, embora legítimas, têm demonstrado, em diferentes contextos, uma tendência preocupante para o excesso, a centralização do poder e a limitação do contraditório. Quando o poder deixa de ser equilibrado, a democracia enfraquece e, com ela, a confiança dos cidadãos. Sabemos o que estamos a presenciar neste momento em Cabo Verde.
É neste momento crucial que a UCID se afirma como uma força de equilíbrio, moderação e responsabilidade. Não como oposição por oposição, mas como garante de um sistema mais justo, em que todas as vozes contam e em que o poder é exercido com limites claros e respeito institucional. Este não é apenas um posicionamento político, mas também um apelo à consciência nacional.
A UCID convida todos os cabo-verdianos, dentro e fora das ilhas, independentemente do seu passado político, a juntarem-se a este projeto. Um projeto que não pertence a um grupo fechado, mas a todos aqueles que acreditam que Cabo Verde merece mais equilíbrio, mais transparência e mais inclusão.
Servir Cabo Verde não deve ser privilégio de poucos; deve ser responsabilidade de todos. O momento de agir é agora.
Referências
- Constituição da República de Cabo Verde – Fundamentos do pluralismo e do equilíbrio de poderes.
- Dahl, Robert A. On Democracy. Yale University Press, 1998.
- União Caboverdeana Independente e Democrática – Princípios e prática política inclusiva.
*Académico e docente residente nos Estados Unidos, o Professor Doutor Júlio C. de Carvalho desempenhou funções como professor de língua inglesa nas escolas públicas da Guiné-Bissau durante os anos letivos de 1988/1989 e 1989/1990, período no qual obteve a sua primeira equivalência ao grau de bacharel. Paralelamente, exerceu atividade docente na Escola Francesa e Plubá, Guiné-Bissau, onde lecionou inglês, espanhol e português, contribuindo para a formação linguística em contexto internacional e multicultural. É autor da obra Winds of the Atlantic: My Journey Through Struggle and Hope (Ventos do Atlântico: Minha Jornada de Luta e da Esperança), disponível na plataforma da Amazon. A obra destaca a centralidade geopolítica, histórica e cultural da sub-região da África Ocidental, com base numa experiência vívida de mais de cinco anos em diversos países da região, incluindo uma permanência de dois anos na Guiné-Bissau. Militante da União Caboverdeana Independente e Democrática (UCID), partido político cabo-verdiano, foi indicado para liderar a lista do partido no círculo de África nas eleições legislativas de maio de 2026, evidenciando o seu compromisso contínuo com a participação cívica e o desenvolvimento político no espaço africano.

