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Cultura

KJF 2026: “Good vibes” e diversidade musical reinam durante a primeira noite de festival pago

A pracinha da Escola Grande, que há 15 anos tem sido palco do Kriol Jazz Festival (KJF) esteve bem composta durante aquela que foi a primeira noite de festival pago, este ano em homenagem a Zeca Nha Reinalda. Um ambiente tranquilo, onde reinaram as “good vibes” e a energia positiva já bem característica deste festival que privilegia o jazz da crioulidade e diversidade cultural. Coube a Ceuzany abrir a noite, seguindo-se Alfredo Rodrigues de Cuba, Margareth Menezes do Brasil e Les Quatre Étoiles du Zaire, que vieram do Congo. O público rendeu-se aos ritmos e sonoridades distintas, mas que puseram muita gente a dançar, mostrando que apesar dos desafios financeiros, o festival continua a fazer todo o sentido.

Conhecido por começar a horas, passavam poucos minutos das 20h30 quando Ceuzany entrou em palco, já com muita gente no recinto que veio para a ver. No seu estilo muito próprio, o público rendeu-se desde logo à sua energia e ritmo. Ceuzany mostrou, mais uma vez, porquê é considerada uma das vozes e intérpretes de destaque da nova geração da música de Cabo Verde.

Entre temas do seu novo trabalho, e alguns sucessos como Mindel d´Novas, o espectáculo, de pouco mais de uma hora, fez dançar e emocionar o público. No final Ceuzany não escondeu a emoção e até confessou que estava nervosa pela “responsabilidade” de abrir o festival. Durante o show, fez questão de abordar temas relacionados com a violência doméstica, que fazem parte deste novo álbum – “No txa tê li” – numa mensagem clara para as mulheres, acreditando que “nenhuma deve passar por isso”.

De Cuba para Cabo Verde, muitas semelhanças

De Cuba para Cabo Verde, seguiu-se Alfredo Rodrigues, ao piano, que iniciou o show com uma versão interessante da música “Final countdown” dos Europe, levando muito público daquela geração ao delírio. Com uma actuação bem animada o espectáculo foi um verdadeiro desfile de sonoridades bem conhecidas, como Hotel Califórnia dos Eagles ou Triller do Michael Jackson. Pela primeira vez na Praia, depois de já ter actuado duas vezes no Mindel Summer Jazz, Rodrigues mostrou-se muito feliz pela recepção calorosa do público.

“Cada vez que venho a Cabo Verde sinto-me como em casa. Sou de Havana, Cubana e a energia das pessoas é muito parecida com a dos cubanos, na doçura, na ´soltura´, na comida e entendem a minha música como se fosse a sua música e isso significa muito para mim”.

Naturalmente, Cesária Évora é uma das suas referências de Cabo Verde, mas também Mayra Andrade. “Encanta-me a música tradicional, mas também o folclore… em Cuba, em África no mundo, temos muitas influências e sou um afortunado por poder estar aqui a partilhar…”.

Margareth Menezes, uma das mais aguardadas

Depois do espectáculo enérgico do piano de Rodrigues foi a vez de Margareth Rodrigues, uma referência do afropop brasileiro, que era sem dúvida um dos shows mais aguardados da noite, subir ao palco. Sempre enérgica e com mensagens de apelo à paz e ao humanismo, fez o público vibrar ao som de músicas bem conhecidas da plateia. No final não escondeu que viveu um “momento muito especial” e que estava muito “feliz com o convite” de vir à Praia.

“Têm uma energia muito boa, é um povo parecido com o baiano, afro-brasileiro, senti que houve uma ligação muito bacana”, desabafou aos jornalistas após o show.

Margareth não esconde que a sua música é, também, a sua forma de intervenção, não fosse também ela actual ministra da Cultura do Brasil, num mundo que se quer mais humano.

“Todos temos necessidades do bem comum e uma delas é a gente se estar sentido bem, ser respeitado, ter os seus direitos e deveres, também, então acho que é o mínimo que podemos desejar ao outro que é aquilo que a gente quer para nós”, afirmou.

Depois do palco do KJF 2026, a baiana actua este sábado no Mindelo, terra de Cesária Évora, quem admira e quem teve a “grande honra” de ver actuar, há muitos anos, em Salvador da Baía. “Era uma mulher de uma simplicidade incrível e ao mesmo tempo com uma grande nobreza e riqueza de presença, de voz, inspiradora”. Esta será a segunda vez de Margareth na ilha de Cize, pois há muitos anos tinha subido ao palco da Baía das Gatas.

Depois do show intenso de Margareth Menezes, coube aos “Le quatre étoiles do Zaire”, que vieram do Congo, encerrar a noite de sexta-feira, 10, do KJF 2026. E fizeram-no com estilo e muita energia ao som do soukous.

Este sábado sobem ao palco Fattú Jakité, Ismael Ló, Brooklin Funk Essentials e Sad Tiouly. O espectáculo começa às 20h30.

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