O Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, fez, segunda-feira, 05, o balanço dos primeiros 100 dias da governação e admite ter encontrado uma realidade mais exigente, diferente daquilo que previa. Francisco Carvalho aponta problemas básicos como a falta de água e de luz e a precariedade das estradas que colocam em risco as pessoas.
Cem dias depois de assumir funções, o governo de Cabo Verde fez a primeira prestação de contas ao país e Francisco Carvalho olhou para os primeiros 100 dias de trabalho como primeiro-ministro e admite não ter imaginado uma realidade tão exigente.
“Chegámos ao Governo com um compromisso muito claro, colocar as pessoas no centro das decisões e trabalhar para que o desenvolvimento de Cabo Verde chegue a todas as ilhas, a todos os municípios e, principalmente, à vida das famílias”, disse.
Dias de muito trabalho
“Estes primeiros 100 dias foram, por isso, dias de muito trabalho. Começámos por conhecer com profundidade a situação do país e encontramos uma realidade mais exigente do que aquela que inicialmente prevíamos. Problemas acumulados durante anos e que se refletem na falta de água e luz, na precariedade das estradas que colocam em risco as pessoas, na falta de inclusão social e de desenvolvimento económico”, continuou.
Segundo Francisco Carvalho são situações que se foram tornando “recorrentes e decisões importantes foram sendo adiadas”.
“Sem procurar justificações”, o primeiro-ministro disse que quer que os cabo-verdianos conheçam a realidade “porque governar com transparência também significa dizer aos cabo-verdianos de onde partimos”.
Problemas acumulados durante anos não se resolvem em 100 dias
Na sua intervenção o Primeiro-Ministro foi categórico e sublinhou que o executivo não pode, em 100 dias, corrigir aquilo que se acumulou durante anos, mas tem a obrigação de começar a corrigir, garantindo que é isso que se tem feito.
“Enquanto realizamos este diagnóstico, o governo não parou. Foi por este motivo que avançámos com o orçamento retificativo, pois era necessário adequar os recursos do Estado às prioridades que definimos para o país e criar condições para transformar decisões em ações concretas”, ressalvou.
Ações viradas para as pessoas
Ações viradas para as pessoas, como a gratuidade do ensino superior e nova abordagem a nível de habitação, como “Barraca Zero”, além da subsidiação das creches e um olhar atento para o problema da água e uma melhor relação governo-câmaras municipais.
“Tenho recebido e ouvido os presidentes das câmaras municipais, independentemente da sua cor política, porque quando uma estrada falta, quando uma família precisa de habitação, quando uma comunidade precisa de água ou quando um jovem procura uma oportunidade, ninguém pergunta qual é o partido daquela necessidade. O país é um só”, afirmou.
O Primeiro-Ministro afirmou ainda que nenhuma Câmara Municipal e nenhum município ficará para trás.
Segurança hídrica
Durante a primeira prestação de contas, Francisco reiterou que o Executivo já iniciou investimentos estratégicos para reforçar a segurança hídrica, incluindo projetos de dessalinização na Cidade da Praia e na Calheta de São Miguel, Santiago.
O Primeiro-Ministro disse ainda que o país passará a ter uma reserva estratégica de água e continuará os trabalhos focados na melhoria do controlo da qualidade, na reutilização e em novos investimentos que permitam dar ao país maior capacidade de resposta.
Além das medidas já apontadas, Carvalho apontou o apoio à produção agrícola e aos pescadores, a aposta nas energias renováveis, digitalização da Justiça e reforço da segurança como medidas importantes deste primeiro balanço.
O balanço dos primeiros 100 dias surge assim como momento de prestação de contas, mas também de definição dos próximos passos, assegura o PM. O governo reconhece que os desafios são maiores, mas garante que essa realidade não altera o compromisso assumido com os cabo-verdianos.
O auditório do Palácio de Governos esteve completamente cheio, onde marcaram presença, além dos membros do governo, deputados nacionais, representantes do corpo diplomático e outros tantos convidados.
C/ RTC