O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu quarta-feira, no Maio, a necessidade de se elaborar um estudo de impacto sobre a saída de jovens do País, sublinhando a importância de encontrar soluções para suprir as lacunas deixadas pela migração juvenil.
Em declarações à imprensa, após visitar a localidade de Figueira, José Maria Neves reconheceu que a mobilidade tem aspetos positivos, permitindo que os jovens adquiram novas capacidades e encontrem melhores oportunidades, mas alertou para consequências negativas no tecido produtivo nacional.
“Cabo Verde enfrenta um grande desafio, que é a elevada mobilidade de jovens para o exterior. Tem os seus aspetos positivos: os jovens saem, ganham novas capacidades, novas competências e encontram melhores condições de vida. E podem, com essa mobilidade, contribuir para o desenvolvimento da sua ilha e do seu país”, afirmou.
Saída massiva também está a criar fragilidades internas
Contudo, José Maria Neves destacou que a saída massiva também está a criar fragilidades internas.
“As comunidades perdem energias, perdem mão de obra e perdem a capacidade empreendedora e inovadora dos jovens. Temos de fazer um estudo sobre os impactos destas saídas e procurar soluções que permitam preencher as lacunas deixadas”, alertou
Durante a visita à Figueira, o Presidente da República manteve contacto com moradores, que apresentaram preocupações relacionadas com o desenvolvimento agrícola e pecuário, a indústria agroalimentar, a mobilização de água, os transportes para escoamento de produtos e a reabilitação de habitações vulneráveis.
Após ouvir a comunidade, José Maria Neves realçou a importância de reforçar parcerias entre o Governo, a câmara municipal, agricultores, pecuaristas e industriais, no sentido de enfrentar os problemas existentes e encontrar soluções que permitam o arranque efetivo do Maio rumo ao desenvolvimento.
Esta visita integra o programa da iniciativa “Presidência na Ilha”, centrada nos eixos Direitos Fundamentais, Estabilidade Institucional e Crescimento Inclusivo.
C/ Inforpress
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1 Comentário
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Carlos Fonseca
11 de Dezembro, 2025 at 19:06
É positivo reconhecer o impacto da saída dos jovens, mas continuar a pedir estudos sem ação concreta já não resolve nada. A mobilidade só se torna um problema porque o Estado e o Governo não têm apresentado projetos estruturantes capazes de fixar a juventude: investimentos produtivos, incentivos ao empreendedorismo real, políticas agrícolas eficazes, água, transportes e indústria local. As fragilidades internas não surgem porque os jovens saem; surgem porque o país não lhes oferece razões suficientes para ficar. Antes de estudar a fuga de talentos, é urgente corrigir a falta de visão e de projetos que a provocam.