Na sua mensagem de Ano Novo 2026, intitulada “Por um Cabo Verde Unido, Arrojado, Próspero e Feliz”, o Presidente da República, apelou à união, à resiliência e ao orgulho nacional para enfrentar os desafios do novo ano. José Maria Neves, desejou “paz, saúde e sucesso a todos os cabo-verdianos, nas ilhas e na diáspora”.
O Chefe de Estado considerou que 2025 foi um ano “histórico marcado pelos 50 anos da Independência, pelas conquistas da democracia e por sucessos inéditos no desporto, com as qualificações das seleções nacionais de futebol e andebol”, nomeadamente para o campeonato do mundo masculino de futebol, para o Campeonato Africano das Nações (CAN) feminino de futebol e para o mundial de andebol a serem disputados em 2026.
O Presidente da República também destacou ainda a necessidade de reforçar a preparação do país face às alterações climáticas, apelou ao diálogo e ao respeito pelas instituições num ano eleitoral decisivo e reafirmou o compromisso de Cabo Verde com a paz, o multilateralismo e a proteção da diáspora.
Mensagem na íntegra:
Mensagem de Ano Novo 2026 de Sua Excelência o Presidente da República, Dr. José Maria Pereira Neves
Por um Cabo Verde Unido, Arrojado, Próspero e Feliz
Cabo-verdianas e cabo-verdianos,
Queridas Amigas e Caros Amigos,
Dirijo estas fraternais saudações a todos os concidadãos, no arquipélago e na diáspora, bem como a todos aqueles que, embora não sendo cabo-verdianos de origem, escolheram o nosso país, para viver ou trabalhar.
Um abraço de irmandade a todos os que estão doentes, privados da liberdade ou precisam mais do que os outros de um abraço amigo ou de uma mão solidária.
A todos, os meus sinceros votos de que o ano que está prestes a entrar seja portador de muita amizade e paz. A todos, os meus sinceros votos de um futuro cada vez melhor.
Chegamos ao termo de um ano histórico, de celebração do cinquentenário da independência nacional. Com determinação e coragem, em cinco décadas, fomos capazes de superar obstáculos, aparentemente intransponíveis.
É, pois, com sentimento de orgulho que comemoramos um percurso de cinquenta anos de independência, democracia, estabilidade e conquistas, que pavimentaram o caminho para o desenvolvimento.
Pelo seu simbolismo, aproveito esta oportunidade para destacar um duplo sucesso do ano de 2025: as inéditas classificações dos tubarões azuis, para o campeonato do mundo masculino de futebol e para o CAN feminino de futebol, que são demonstrativos da nossa capacidade de resiliência, e que deverá ser uma genuína fonte de inspiração para todos os cabo-verdianos: a união faz a força! Sempre que apostamos no mérito e na eficácia dos resultados, ganhamos.
Porém, 2025 foi também o ano em que, para além dos desafios que já vínhamos enfrentando, fomos fustigados por tempestades, que atingiram, sobretudo, São Vicente e Santiago Norte. As consequências foram catastróficas, com devastação nunca vista, para além da trágica perda devidas humanas.
São eventos que evidenciaram, de forma assustadora, fragilidades e despreparo para enfrentar este tipo de calamidade, resultante das alterações climáticas. Fazendo parte do grupo de Pequenos Estados Insulares, somos os mais afetados por estas manifestações da natureza, com consequências severas, embora a nossa contribuição para as mudanças climáticas seja praticamente nula.
As ilações a tirar são óbvias: temos que nos preparar melhor para estas situações que tendem a ser cada vez mais recorrentes e extremas. Só intervenções consistentes, estruturantes e não deferidas no tempo serão capazes de aumentar a nossa mais do que necessária resiliência. O ano que está prestes a entrar, promete ser de muitas emoções, na política e no desporto.
Comemoraremos os 35 anos da instauração da democracia representativa. Nesta era em que a democracia está sob ataque e em policrise, com atropelos ao direito internacional, aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e ao estado de direito e fortes restrições à mobilidade humana, vale a pena comemorarmos, de mãos dadas e condignamente, a
Liberdade e a Democracia.
No mundo, tende a impor-se a lei do mais forte, pondo em causa o multilateralismo, a paz, a estabilidade e a cooperação para o desenvolvimento. Cabo Verde, Estado pequeno, insular e transnacional, deve ser inteligente, sábio, pragmático e realista, defender o direito internacional, o multilateralismo, a paz e a cooperação entre os países grandes e pequenos, sem alinhamentos que nos limitem os passos ou distanciamentos que prejudiquem os nossos interesses. Temos de ser capazes de cuidar e proteger as comunidades da diáspora, defender os seus interesses e fazer de Cabo Verde um porto seguro para todos os seus filhos.
Os cabo-verdianos serão chamados às urnas por duas vezes, em eleições legislativas e presidenciais. Em ambas as disputas, espero que vença a força dos argumentos. Urge reverter e dissipar o atual e crescente clima de crispação, reaprender a cultura do diálogo e do debate fundado em ideias e argumentos e respeitar as instituições, para que a democracia saia fortalecida, o estado de direito reforçado e se cumpra Cabo Verde.
No desporto, aguardamos com compreensível expetativa, a estreia dos tubarões azuis, masculinos e femininos, nos dois maiores palcos do futebol, para os quais se qualificaram com competência e brilho. A nossa seleção de andebol também estará no mundial da modalidade e estamos convencidos de que a seleção de basquetebol conseguirá, igualmente, a sua qualificação.
Estas equipas elevarão o charme de Cabo Verde para bem alto, projetando a imagem desta nação no mundo inteiro! Desejamos que tenham uma prestação histórica!
Termino, renovando os votos de que este Novo Ano traga muita paz, saúde, sucessos e felicidade para todos os cabo-verdianos, nas ilhas e na diáspora, e a todos aqueles que escolheram o nosso país para residir ou trabalhar.
A todos um Feliz Ano Novo!



