PUB

Sociedade

A coragem de seguir o seu próprio caminho

Nascida na cidade da Praia, mais concretamente em Vila Nova, Janini Andrade viveu em Cabo Verde até aos 18 anos, idade em que decidiu emigrar para Portugal. Chegou com um plano, licenciar-se em Direito e construir uma carreira como advogada. Contudo, a vida levou-a por outros caminhos. Jovem, sem “berço de ouro”, Janini cedo percebeu que teria de trabalhar para pagar os estudos.

“Todos os dias sentia que estava a viver uma história que não era minha”, conta, acrescentando que sempre foi fascinada pela estética, o cuidado com a pele, a transformação. Até que um dia, decidiu não ignorar esse chamamento e seguiu-o. 

Formou-se em várias áreas, como epilação egípcia, aplicação de pestanas, limpeza de pele, remoção de tatuagens e, mais tarde, encontrou na depilação a laser não apenas uma especialidade, mas um verdadeiro propósito.

Antes disso, chegou a aventurar-se na confeitaria, vendendo bolos e brigadeiros online, também trabalhou num projeto de um amigo, onde aprendeu até onde o seu talento podia ir, e decidiu sair e começar do zero, num pequeno gabinete cedido por uma amiga, Nádia. “Como mulher, passei por momentos que hoje acredito que faz parte do processo”.

Ambiciosa, Janini sempre sonhou em empreender, decidiu arriscar em abrir o seu primeiro estúdio sem dinheiro para obras. “Foram três meses de portas fechadas, a trabalhar noutro espaço para pagar cada detalhe, a sustentar um sonho antes mesmo de ele existir, poucos teriam continuado, mas eu continuei”, diz.

Paralelamente, participou em vários videoclipes musicais, começando em 2016 com o grupo angolano Força Suprema, o que começou como passatempo tornou-se algo mais profissional, ajudando inclusive a dar visibilidade ao seu trabalho na estética. Algumas clientes chegaram por curiosidade, outras por admiração, mas todas acabaram por conhecer a profissional dedicada por trás da imagem.

Para Janini, empreender como mulher, sobretudo na área da estética, ainda implica enfrentar barreiras como o acesso limitado ao financiamento, estereótipos de género e falta de formação em gestão. Ainda assim, acredita no potencial feminino e na força da união.

Hoje, lidera uma equipa de seis mulheres e sonha em expandir o negócio, abrir novos estúdios, ajudar outras mulheres a recuperarem a autoestima, a independência financeira e a acreditarem em si mesmas. Ela deixa um conselho aos jovens que sonham em ter o seu próprio negócio: “consistência, resiliência e não desistir do trabalho, hoje pode não dar certo, mas amanhã é certo! Se não formos nós, quem será?”, finaliza.

PUB

Adicionar um comentário

Faça o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PUB

PUB

To Top