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Treze de Janeiro – Dia da Liberdade e da Democracia Cabo-Verdiana

Por: José Pereira Miranda*

Caros concidadãos, desejo-vos a continuação de Boas Festas e votos de um Feliz Ano de 2026.

No passado dia 13, celebrámos, em comunhão, mais uma efeméride de extraordinária relevância entre tantas outras que Cabo Verde tem vindo a assinalar desde a sua descoberta. Parabéns por tudo o que, coletivamente, temos alcançado para que, hoje, o povo cabo-verdiano possa proclamar, em voz firme e altiva: «somos livres»; «celebramos este ano 35 anos de democracia».

Na minha perspetiva, o povo cabo-verdiano possui razões mais do que suficientes para clamar: viva a Democracia, viva a Liberdade, viva Cabo Verde livre e independente. Contudo, não devemos esquecer que a democracia conquistada representa mais uma vitória inscrita na longa e árdua luta histórica do nosso País.

Cabo Verde tem uma História. Uma História que, embora bela, carrega consigo martírios e o sangue dos heróis, muitos dos quais não tiveram sequer a ventura de celebrar a Independência. História que se iniciou com a descoberta pelos portugueses, prosseguiu com a povoação marcada pela mistura de escravos e cidadãos oriundos de diversas partes do mundo, espalhados por estes dez grãozinhos de terra, atravessou lutas entre escravos e patrões, seguiu pelas lutas clandestinas e armadas, onde inúmeros perderam a vida — incluindo o Líder Principal, Amílcar Cabral — e culminou na Independência, primeiro da Guiné e, posteriormente, de Cabo Verde. O País conta hoje quinhentos e sessenta e cinco anos de existência: mais de cinco séculos e meio, tempo suficiente para que os seus filhos conheçam e valorizem a sua História.

Importa sublinhar que a Democracia só foi conquistada após a liberdade incondicional do povo cabo-verdiano. Recordemos que, até 1974, vivíamos sob o jugo colonial, sem direito sequer a queixa ou reivindicação, sob pena de prisão pela PIDE. Foi nesse contexto que se registaram massacres de presos políticos cabo-verdianos.

Por isso, na minha opinião, seria oportuno que nos debruçássemos sobre a construção da História do nosso País, desde a sua descoberta até à Democracia conquistada, antes que desapareçam algumas das «fontes vivas» que participaram nas lutas clandestinas e armadas. Narrada, elaborada e validada pela idoneidade competente, essa História deveria ser sistematizada em compêndios, organizados por etapas da luta e das vitórias alcançadas, e entregues às academias para ensino e aprendizagem. Assim, com os conhecimentos adquiridos, o próprio povo saberá valorizar não apenas as conquistas, mas também os líderes e combatentes que se sacrificaram para que cada patamar fosse erguido e Cabo Verde pudesse ocupar o lugar que hoje ocupa.

Creio que não vale a pena disputar os ganhos já conseguidos, pois tal apenas redundaria em perda de tempo, descontentamento, divisão entre concidadãos e atraso no desenvolvimento do País. A união faz a força; a desunião a enfraquece.

Muito obrigado.

     18/01/2026

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