Estados Unidos e Israel lançaram na madrugada deste Sábado, 28, ataques coordenados contra alvos no Irão que atingiram a capital Teerão, perto do palácio presidencial e edifícios estratégicos. Trump e Netanyahu justificaram os ataques como proteção dos EUA e eliminar “ameaça existencial” do Irão. Por sua vez, a Guarda Revolucionária iraniana retaliou com mísseis balísticos e drones contra Israel e bases dos EUA no Golfo Pérsico, pelo que há relatos de explosões e vítimas em Riade, Abu Dhabi, Doha, Manama e Kuwait.
A agência de notícias iraniana Fars também aponta ataques dos Estados Unidos e Israel em outras cidades para além da capital, como Isfahan, Karaj, Kermanshah e Qom.
As ligações à Internet e a rede telefónica encontravam-se cortadas no Irão, segundo a agência de notícias espanhola EFE. As autoridades iranianas não apresentaram um balanço de danos ou de vítimas resultantes dos ataques aéreos e a comunicação social iraniana garantiu que o Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, “encontra-se em perfeitas condições de saúde”.
“Pezeshkian encontra-se em perfeitas condições de saúde”, informaram várias agências iranianas, entre as quais a Mehr e a Tasnim.
Seja como for, de acordo com a agência IRNA, o ataque israelita contra uma escola primária feminina em Minab, cidade na província de Hormozgan, no sul do Irão terá provocado pelo menos 40 mortos, de acordo com a agência IRNA.
Trump e Netanyahu confirmaram os ataques
Horas depois do início dos ataques, Donald Trump e Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel, manifestaram-se defendendo a ação militar.
“Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear”, disse o líder americano, que falou em “arrasar a indústria de mísseis”.
O primeiro ministro de Israel pediu “paciência e perseverança” aos cidadãos de Israel face à operação “O Rugido do Leão” em curso.
“Chegou a hora de todos os grupos étnicos do Irã – persas, curdos, azeris, balúchis e ahwazis – se libertarem do jugo da tirania e construírem um Irã livre e pacífico. Apelo a vocês, cidadãos de Israel, para que ouçam as instruções do Comando da Defesa Civil”, afirmou Benjamin Netanyahu.
Recorde-se que o ataque ocorre num momento em que os Estados Unidos reuniram uma vasta frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irã a um acordo sobre seu programa nuclear que vinha sendo discutido nos últimos dias.
Irão ataca bases dos EUA no Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein
A agência de notícias iraniana Fars noticiou que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) atacou bases norte-americanas no Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
O Ministério da Defesa do Catar afirmou ter intercetado todos os mísseis disparados contra o seu território, enquanto foram reportadas explosões na capital Doha, segundo a agência noticiosa Reuters.
O Bahrein também confirmou que a Quinta Frota da Marinha dos EUA, em Manama, foi alvo de um ataque.
Primeira vaga de mísseis e drones do Irão contra Israel
Por outro lado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o início de uma primeira vaga de ataques com mísseis e drones contra Israel, em retaliação a operações aéreas das forças israelitas e norte-americanas contra o Irão
“Começou a primeira vaga de amplos ataques com mísseis e drones da República Islâmica do Irão em direção aos territórios ocupados”, disse a Guarda Revolucionária num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A força armada que protege o regime teocrático de Teerão disse que se trata da “resposta à agressão do inimigo hostil e criminoso contra a República Islâmica do Irão”.
As sirenes antiaéreas foram acionadas em Jerusalém e noutros pontos do centro de Israel, pouco depois de os Estados Unidos e as forças israelitas terem lançado uma série de operações aéreas contra diversos alvos no Irão.
Líderes mundiais pedem “máxima contenção” e proteção dos civis
Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu expressaram “grande preocupação” após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, apelando à “máxima contenção” e à salvaguarda da segurança regional e nuclear.
“Os desenvolvimentos no Irão são motivo de grande preocupação. Mantemo-nos em estreito contacto com os nossos parceiros na região. Reiteramos o nosso firme compromisso com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regionais”, defenderam Ursula von der Leyen e António Costa, num comunicado conjunto sobre os acontecimentos no Irão.
Moscovo denuncia “aventura perigosa” que ameaça mergulhar a região em “catástrofe”
A Rússia reagiu este sábado aos ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irão, considerando que se trata de “uma aventura perigosa” que ameaça mergulhar a região numa “catástrofe”.
O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros diz que estes ataques visam “destruir” a liderança iraniana por esta se recusar a submeter-se às forças norte-americanas e israelitas.
“As intenções dos agressores são claras e declaradas abertamente: destruir a ordem constitucional e o governo de um Estado que lhes é indesejável e que se recusa a submeter-se aos ditames da força e da hegemonia”, adianta o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros.
C/Agências internacionais



