
Por: Veladimir Romano
Quando no mar Egeu o imenso arquipélago se inundou das famosas tribos de origem helénica, desde logo a partir de Creta, subindo a Quios, passando Rodes, Miconos, Delos, Corfu, Santorini, até Chipre; depois do sucesso agrícola e de segurança alimentar ainda bem visível na produção de trigo, pistache, oliveiras, uvas e alperces; hoje, industrias de sucesso, depois, como em nenhum outro lugar, aqui se deu a grande evolução intelectual e artística dando a Grécia à Humanidade figuras de alto relevo, grata primazia e sedutora paixão, construindo seu original império mais pelo valores da Cultura do que numa opção belicista.
Seja: a civilização grega ao fundar o Helenismo, quando ainda hoje nos referimos a Xenofonte, Sofocles, Platão, Aristóteles, Eratóstenes, Euclides, Arquimedes entre quantos mais… sim, podemos encher páginas, construir numerosos santuários, saudar a delicadeza em busca dessa perfeição como desafio primeiro de quem se assume e, da sua riqueza humana com inquietações na entrega, sumariamente, contributo em compromisso complexo ao estruturar exigentes reparos nem sempre favoráveis, de longe nada fáceis de quem se aventura neste vasto oceano das letras, porventura submetria combinada, a descobrir, consideremos o autor um: «Scriba doctus profert de thesauro suo nova et vetera» [Os doutos, quando escrevem, tiram do seu tesouro coisas novas e mais velhas], dizia a juízo, o ilustre pregador Santo Agostinho, aproveitamos a dar caminho ao labor apresentado por Carlos Filipe Gonçalves.
Para quem comodamente sentado na poltrona, jamais aventureiro nas marés da secura às enchentes numa corrente da escrita justamente a quem nunca arriscou, desconhece realidades desta construção, como assim acabamos de receber em detalhado pormenor, verdadeira e ampla oportunidade pedagógica a bem não só da cultura de Cabo Verde, mas, ao divulgar tamanha tarefa, gigantesca, onde tais condições em apoios já sabemos de pior forma, fugindo, atraiçoa o próprio processo do exercício mental de pesquisa permanente, fecunda aplicação, paciência, resistência, estritamente de recolha artística, poder esclarecer com delicadeza mas sempre correndo riscos entre a vida do texto e a legitimidade do autor visto esta construção em narrativa, obedecer às informações que se concedem, onde se refazem diferentes registos para se chegar ao traço comum da comunicação, o investigador, é sempre um solitário batalhador.
Talvez aqui se manifeste alguma metafísica na moralidade cultural exercida pelo autor quando se explica e com requinte preocupa-o um conjunto de avisos qual natureza erudita dissolve cintilações dentro do espelho daquilo que, finalmente Cabo Verde, a par de outras sociedades, fazem com essa maior preocupação, brindar este mundo desde o recanto cabo verdiano, apaixonado viver crioulo de um Atlântico tropical, um povo vivendo na sua submissão refletida, qual vontade soberana ou nova doutrina pagã, criadores de uma assombrosa epopeia de cinco séculos marcados ao ritmo da evolução coletiva, fique um Estado-Nação na margem das obrigações em radical reducionismo, anula qualquer sentido da disciplina criativa, social, como desconfigura o processo democrático quando se luta contra determinados misticismos sociais. Aqui, procura-se o lado luminiscente.
Daí, ser quão relevante na liberdade fecunda, estilhaços dessa compenetração onde Carlos Filipe Gonçalves, verdadeiro Teofrasto cabo verdiano, compensa com este e muito precioso labor pelo esclarecimento, agora quando Cabo Verde atinja na lista maior dos países com preocupação tão válida, quanto necessária não só para iluminar bibliotecas, preencher montras literárias, antes conduzir uma notável exploração ao mundo da riqueza cultural, identitária ou recompensa relativa à Caboverdianidade. Cada um de nós devia possuir empenhada informação, guardar, educar-se o povo dando a conhecer seus valores, figuras que marcam também esta Independência histórica onde a Cultura joga saliente papel.
Contudo, em salvaguarda, nem sempre havendo precisa exatidão, comprenda-se da construção permanente em tarefa de garimpeiro, indo até à necessidade daqueles que ainda reservam no fundo da gaveta, informações válidas, matéria prima relevante, que a desbloquei para laurear este notável trabalho seja ainda mais completo e preciso; desliguem-se preconceitos e apliquemos a extensão histórica do âmbito cultural procurando ser fiel a tão particular assunto: a rebater, chega a presciência.
Assim, igualmente vergonhoso a par de múltiplos exemplos, novamente, lastimosa ausência das entidades responsáveis pelo cuidado cultural onde a Biblioteca Nacional, ministério da Cultura, Instituto do Património ou até a Casa da República onde atarefados calhamaços com legítimo apontamento histórico são editados, não serem mais importantes que este magnífico e rico apontamento pedagógico, único no seu género e companheiro galante de outras bibliografias mundiais… a UNESCO que o diga.
No A a Z encontra-se um mérito de ser Kab Verd Band… nutrido contributo, prende-se ao simbolismo, estudo, aplicação, extensão histórica procurando ser fiel o quanto for exigido nesta paciente e longa caminhada garimpeira pela cultura; deve-se a Carlos Filipe Goçalves, algum título de “entidade adminstrativa” desta imensa coletânea, impulso pela verdade de um povo.
A Cultura, no efetivo, é representação sincera de um país e seus naturais, caráter, firmeza e, no argumento mais possível, razões para que logo a primeira edição esgotasse… daqui o merecimento de todas as atenções a quem de direito, olhe-se de vez com realismo aos mais elementares deveres junto com a liberdade que a democracia nos concedeu, reconhecer na brilhante tarefa puro acontecimento de Estado; quando o livro, na sua conjuntura emocional, reserva doutrina educativa, é realidade específica.
Numa outra corajosa ideia, vontade, crer, assumindo desafios, irreverência intelectual, pessoal, deste arrebatador operário da escrita em defesa do saber, ação, aferro no âmago de um processo porventura deliberado e permanente [a obra não acaba aqui, obedece a um processo]; no entanto, com estética e apresentação limitada [por via diminuta de recursos], ainda assim, deste modo, possibilita na global cultura onde tal pergaminho ilustre Cabo Verde com requintada informação celebre na sua muito “morabeza” crioula, a confiança humanista, imutável ao cânone dos valores como bem dizia o elegante, ilustre e saudoso poeta Corsino Fortes: «O mundo é um dedal no dedo mindinho de um cabo-verdiano…».
Este é o renascimento do tempo que abrange desde Cabo Verde ao mundo das nossas Comunidades, a mensagem de uma desejada Espiritualidade qual juntou Carlos Filipe Gonçalves ao construir o Kab Verd Band AZ, talvez falte agora alguma atitude positiva aos órgãos de soberania perante factos entre argumentos, ser registo qualificador das palavras de Amílcar Cabral pela construção de uma sociedade sempre “mais justa e melhor preparada”: então, massiva seja esta Luz, para não se promover obscurantismo.
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Lisboa/Madrid, março – 026

